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Na declaração de «vitória», ontem à noite, no espaço Vitória, Jerónimo de Sousa não conseguiu disfarçar a desilusão que lhe ia na alma. E não era para menos: o PCP não colheu sequer uma leve brisa das tempestades que semeou. Os professores e os funcionários públicos (que tantas greves e manifestações deram ao mundo), no segredo da cabine de voto, fizeram-lhe um manguito. No entanto, Jerónimo de Sousa mantém-se firme e hirto. Ele, que em cada Outubro que passa comemora a revolução bolchevique, sabe que Lenine não esteve à espera de ganhar eleições para tomar o palácio de Inverno. Apenas fica triste com a ingratidão daqueles que tiveram todo o apoio do PCP para travarem as suas lutas contra o governo, para fazer ouvir a sua voz e as suas reclamações, e depois, no momento da retribuição comportam-se como maus pagadores. Mas Jerónimo de Sousa obteve uma vitória real (essa de retirar a maioria absoluta ao PS não pega, porque todos reclamam o feito): o PS para fazer acordos à esquerda precisa dos votos do PCP, porque os do BE não chegam. Afinal, talvez tivesse sido este «pormenor», esse amargo de boca, que provocou a notória irritação de Francisco Louçã durante o seu discurso de «vitória».