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Hoje de manhã percorri alguns blogues e li também alguns comentários. Há, em muito do que li, uma ideia recorrente que se traduz na frase que cito: O único partido que, ontem, desceu na votação, foi o PS. Todos os outros, subiram. O PS perdeu as eleições. Esta é uma leitura possível. Contudo, os resultados eleitorais são medidos mais pelas consequências políticas que deles decorrem do que pela aritmética ou a simples comparação com resultados de eleições anteriores. Por exemplo, não faz sentido dizer que o PSD ou o PCP ganharam estas eleições porque subiram em relação aos resultados de 2005 ou que o PS as perdeu porque diminuiu os votos e os deputados. Esta leitura não se conforma com a realidade. A primeira e principal consequência política destas eleições é a indigitação de um novo primeiro-ministro e a formação de um novo governo. As eleições legislativas (apesar de eleger um novo Parlamento) têm esse objectivo. Ora, José Sócrates e o PS vão formar governo porque ganharam as eleições (coisa diferente é a dimensão da vitória, com mais ou menos percentagem, com maioria absoluta ou não). Ainda, como consequência política, para além do PS, só o CDS-PP teve uma vitória eleitoral significativa ao eleger os deputados suficientes para constituir uma maioria parlamentar com o partido mais votado. E isso vai ser comprovado ao longo da próxima legislatura. O resto, não passa de vitórias morais.