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Vítor Dias preocupa-se com os meus modestos e sintéticos escritos neste dazibao. Na economia de tempo de quem tem o azar de não fazer da escrita profissão, alinhavo à pressa umas poucas linhas (pouco mais de 500 caracteres), onde consigo falar sobre ciclismo, jogos olímpicos, e na pedalada, a despropósito, escrevo: «A opção de Álvaro Cunhal pelos soviéticos e os ataques ao PC Chinês, no começo dos anos 60, é mais um dos sucessivos erros de apreciação do endeusado dirigente do PCP. Hoje, passados 40 anos, os comunistas portugueses, habituados a engolir sapos, dão a mão à palmatória, sem o admitirem, e lá vão defendendo o PC Chinês. Afinal, os soviéticos eram mesmo “revisionistas”». Vítor Dias lê e não resiste. E decide explicar-me com mais de 2 000 caracteres (um autêntico esbanjamento de palavras) que «talvez não valha a pena explicar-me» que o PCP tem sempre razão, como se fosse um herói imortal de banda desenhada. Por mera educação, como todas as cartas devem ter resposta, e já que a conversa tinha descambado para o «revisionismo» soviético, teço umas simples considerações sobre Krutchev. E acrescento, para não ser esmagado pelos caracteres de Vítor Dias, que o PCP sempre apoiou quem esteve no poder, desde Estaline a Gorbachev, passando pelo dito Krutchev, sem cuidar de lhe apreciar as diferenças, e muito menos entender que a «construção do socialismo» em ditadura é uma treta. Vítor Dias, amarfanhado, replicou. Desta vez não me mandou comprar «chapelinho ou boné para proteger as meninges da inclemência deste sol de Agosto», mas voltou com a cassete: ele fala em alhos, eu respondo em bugalhos, mas nunca responde à questão: aquilo na Coreia do Norte é uma democracia ou uma ditadura?

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publicado às 00:02

 

Béria e Krutchev transportam a urna de Estaline.

 

 

Vítor Dias – tal como os demais comunistas portugueses – tem a ingrata tarefa de transportar, aos ombros, a história oficial do PCP. Isso obriga-o a não ceder um milímetro aos luxos burgueses, como a liberdade de pensamento, por exemplo. Vítor Dias pensa que Álvaro Cunhal, enquanto líder do PCP, nunca cometeu erros (ai o culto da personalidade!), do mesmo modo que endeusou Estaline até 1953 e depois, como se nada fosse com ele, alinhou na denúncia dos crimes do ditador soviético feita por Krutchev, em 1956. E nem pestanejou quando Krutchev, na luta pelo poder, executou Béria da mesma forma que Estaline tinha executado tantos dos seus camaradas. Nem estranhou que quem denunciava os crimes de Estaline tinha escrito, anos antes: «Os trotskistas levantam as suas mãos traidoras contra o camarada Estaline, Estaline a nossa esperança; Estaline o nosso desejo, Estaline: a luz da humanidade avançada e progressista. Estaline a nossa vontade, Estaline: a nossa vitória». Vítor Dias não acredita nas ideias, nos factos, na multiplicidade, na discussão. Acredita apenas, piamente, na «linha justa» do Partido. Vítor Dias vê o mundo através de umas lentes que lhe distorcem o que vê: por exemplo, democracia na Coreia do Norte e fascismo («grau zero da democracia») em Portugal. Por isso, não entendeu a ironia do meu post. Apenas reagiu ao «ataque» ao camarada Cunhal. Vítor Dias é politicamente cego. É como os meus camaradas de partido que não pensam. Conheço alguns que, nos congressos do PS, apoiaram incondicionalmente Mário Soares, Vítor Constâncio, Jorge Sampaio, António Guterres, Ferro Rodrigues e José Sócrates, sem nunca perceberem as diferenças entre eles; por oportunismo ou por cegueira partidária. Vitor Dias não percebe que o PC da URSS nunca deixou de ser estalinista e que o bem estar dos povos não se alcança com ditaduras, mesmo que sejam do «proletariado».  

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publicado às 18:58



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