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||| A coisa promete.

por Tomás Vasques, em 22.03.09

Há 8 meses que o PS e o PSD andam às voltas, sem se encontrarem, com o «nome» do próximo Provedor de Justiça. Depois de, há dois dias, Manuela Ferreira Leite ter reclamado o direito da «oposição» indicar o novo Provedor, Paulo Portas veio a jogo sugerindo os «bons ofícios» de Jaime Gama, enquanto presidente da Assembleia da República, no sentido de resolver o impasse em sede parlamentar. Isto é chutar para canto: não há outra sede para resolver este assunto. Mas a líder do PSD, num reconhecimento público da sua desastrada conferência de imprensa, aplaudiu a proposta de Paulo Portas, deixando de reclamar a indicação do «nome» do Provedor pela «oposição» e transferindo tal indicação para o «parlamento», onde sem o acordo do PS não é possível ultrapassar o impasse. Entretanto, ao fim do dia de hoje, Bernardino Soares, em nome do PCP, veio reclamar – e bem – que a eleição do Provedor de Justiça deve caber a «todas as forças políticas na Assembleia da República». Só que eu estava convencido que a eleição do Provedor de Justiça já, anteriormente, cabia ao parlamento, nos termos da constituição. E se cabe ao Parlamento, tudo isto é conversa de surdos. Ou não?

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publicado às 20:14

||| O Provedor de Justiça [2].

por Tomás Vasques, em 21.03.09

Manuela Ferreira Leite esticou a corda do Provedor de Justiça até partir em Jorge Miranda. O que aparentava ser um jogo do «empurra», entre o PS e o PSD, passou a ser mais uma das costumeiras inabilidades políticas da presidente do PSD. Sobretudo, porque Jorge Miranda é um nome acima de qualquer suspeita de «partidarização» do cargo mas, também, porque desde 1990 que a Provedoria de Justiça está nas mãos do PSD.

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publicado às 01:43

|||O Provedor de Justiça.

por Tomás Vasques, em 20.03.09

Manuela Ferreira Leite defendeu, hoje, que «a indicação do próximo Provedor de Justiça deve caber à oposição». É, provavelmente, uma sugestão acertada em benefício da democracia. Mas, tal sugestão, tem dois óbices de monta: um político; outro constitucional. Quanto ao primeiro, exige que – no caso da presente legislatura – o PSD se entenda com o PCP e o BE (não me parece que Manuela Ferreira Leite pense excluir estes dois partidos do conceito de «oposição»). Quanto ao segundo, é necessário que a Constituição e a Lei sejam alteradas. Hoje, o Provedor de Justiça é, nos termos da Constituição, eleito pela Assembleia da República, exigindo-se uma maioria de dois terços dos deputados presentes. Ora, sendo necessário, neste figurino constitucional, que o partido do governo vote favoravelmente o nome indicado pela «oposição», não há maneira de ultrapassar este obstáculo sem primeiro alterar a Constituição e a Lei no sentido de conferir exclusivamente aos partidos da oposição, com representação parlamentar, o direito de elegerem o Provedor de Justiça. O resto é conversa fiada para empurrar o problema para os «outros, com responsabilidades repartidas entre o PS e o PSD.

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publicado às 19:44

||| É a democracia, estúpido.

por Tomás Vasques, em 14.03.09

Ontem, realizou-se em Lisboa a maior manifestação de sempre, segundo Carvalho da Silva, o patrão dos sindicatos comunistas. Foram mais de 200 000 que se manifestaram contra o governo. Esta manifestação, tal como outras anteriores, com destaque para os professores, só pode ser motivo de satisfação para qualquer democrata. Há países, como em Cuba, em que manifestações desta dimensão só acontecem quando são a favor do governo. Não há memória de manifestações contra o governo, apesar da pobreza em que vivem os cubanos. Outro aspecto importante desta gigantesca manifestação foi a disputa mano a mano entre o PCP e o BE. Francisco Louçã marcou Jerónimo de Sousa, enquanto Miguel Portas marcou Ilda Figueiredo. De resto, foi uma sexta-feira normal, com o governo em Cabo Verde e as filas de trânsito para sair de Lisboa em todas as direcções à procura do fim-de-semana e da Primavera antecipada, apesar de todos os descontentamentos.

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publicado às 00:28

«Se eu fosse às reuniões do grupo parlamentar, se calhar já não havia grupo, nem governo».  

 

Manuel Alegre, entrevista à Antena 1.

 

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publicado às 23:04

||| Ironismo político em tempos de crise.

por Tomás Vasques, em 12.03.09

 

Pede-me o João, a propósito de este post, para lhe «explicar, «neste contexto socrático-albanês», o que é o «PS profundo». Podias-me dispensar de tal «explicação» porque tu sabes que eu sei que tu sabes o que é o «PS profundo». Mas, antes de te «explicar», primeiro, à laia de intróito, «explico», antes, o seguinte: primeiro, a simpatia por Manuel Alegre, proveniente dos sectores mais críticos deste Governo, sobretudo à sua direita, não tem a ver com simpatia pelo «pensamento político» do poeta – algo que não existe, aparte meia dúzia de generalidades delidas mas, para este efeito, podemos fazer de conta que existe –, nem com o «exercício da democracia» no interior do PS. É só ver como alguns desses críticos reagem quando Passos Coelho aparece na capa de uma revista para avaliar a hipocrisia derramada nessa simpatia por Alegre. Os detractores deste Governo «interiorizaram» a incapacidade de qualquer partido vencer o PS nas próximas legislativas e, vai daí, começaram a apostar tudo no «cavalo de Tróia». Mas, caso este venha a ser candidato à presidência da República, virá o tempo em que lhe vão chamar os «nomes» todos que sabem; segundo, o «contexto» que evocas só existe na cabeça de quem a quer esconder debaixo da areia. A Dom Quixote editou o ano passado A filha de Agamémnon e o Sucessor, do escritor albanês Ismail Kadaré – uma leitura aconselhável a quem insiste, tal como a ortodoxia comunista, em confundir democracia e totalitarismo. Posto isto, «explico-te», apesar de saber que é dispensável fazê-lo, o que é o «PS profundo»: são todos aqueles que têm uma relação afectiva como o PS (tal como existe em todos os partidos), à semelhança da clubite futebolística. É aquele «maralhal» (militantes, simpatizantes, eleitores) que «veste a camisola» e defende a equipa com unhas e dentes independentemente do «treinador» que lá estiver, que podemos «caricaturar» nas peixeiras de Olhão ou de Matosinhos, nas gentes da Madragoa ou dos arrabaldes das grandes cidades, que vivem em «crises» desde que nasceram, e não esperam sinecuras e mordomias do poder político.  É o «pessoal» que nunca, em circunstância nenhuma, aconteça o que acontecer, deixa o PS descer abaixo dos 20 %, como aconteceu nos idos de Almeida Santos. E esses – o PS «profundo» – não gostam, por razões afectivas, que maltratem a sua «equipa». São esses, que no momento oportuno, vão mandar Manuel Alegre às favas. É aí que reside o «erro» da estratégia de Manuel Alegre. O «pessoal» gosta de bacalhau, mas sobretudo gosta de saber se é carne ou se é peixe.

 

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publicado às 22:59

||| Quem tudo quer, tudo perde.

por Tomás Vasques, em 11.03.09

João Cravinho, em entrevista à Rádio Renascença, diz o óbvio: «O grande combate de Alegre são as presidenciais». E justifica a estratégia do poeta: «Alegre tem de lançar e cultivar a convergência de esquerda». No entanto, esquece o óbvio: o PS «profundo» (não me refiro só aos militantes, mas sobretudo aos eleitores) vai atribuir a Manuel Alegre parte da responsabilidade na perda da maioria absoluta, se tal acontecer. E esse PS «profundo» vai reduzir Alegre a candidato do BE, independentemente das «conversas entre Sócrates e Alegre». A «festa» de Manuel Alegre acaba na noite das eleições legislativas.

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publicado às 23:27

||| Recados.

por Tomás Vasques, em 09.03.09

«Farei todos os possíveis para garantir aquilo que for bom para Portugal e isso passa pela estabilidade política»

 

Cavaco Silva, Presidente da República (hoje, em Braga, no 3º aniversário da sua eleição)

 

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publicado às 23:24

|||Oposição [2].

por Tomás Vasques, em 08.03.09

Ontem, no Expresso, tivemos a entrevista de Manuel Alegre; hoje, no Diário de Notícias, é a vez de Helena Roseta, ex-social-democrata e ex-socialista, apoiante de Manuel Alegre, ser entrevistada. Li atentamente a entrevista. Gostei do sorriso de Helena Roseta na fotografia da 1ª página, como gostei da síntese que acompanha a fotografia: «PS não está a medir o grau de revolta, está a iludir-se com as sondagens.» Helena Roseta também sabe qual o caminho para Belém.

 

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publicado às 12:16

|||Oposição.

por Tomás Vasques, em 07.03.09

 

 

 

Li atentamente a entrevista de Manuel Alegre ao Expresso de hoje. Gostei da fotografia na capa. Sobretudo da gravata. Gostei, também, de ler a síntese que acompanha a fotografia: «Se houvesse candidaturas independentes, concorria contra o PS». É uma fórmula engenhosa que ajuda a cumprir o seu destino: demonstrar o pluralismo de opiniões no PS, enquanto mete umas gotas de água na boca do BE. É o sonho (de Belém) que comanda a vida.

 

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publicado às 23:49

||| Para bom entendedor meia palavra basta.

por Tomás Vasques, em 05.03.09
As declarações do Presidente da República sobre a crise, durante a sua visita à 
Alemanha, são significativas. Para além das preocupações quanto ao aumento do 
desemprego e sobre a regulação do sistema bancário, deixou claro que: «não há 
possibilidade de um Estado conseguir promover a recuperação económica
 sozinho» ou «as previsões em Portugal são um pouco melhores» 
referindo-se à quebra do produto interno bruto na Alemanha. 

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publicado às 23:42

 

 

Circula por aí um coro afinado a querer avisar os socialistas dos «perigos» que correm porque o congresso do último fim-de-semana não teve «conteúdo nenhum» a não ser render o «culto da personalidade» à volta de José Sócrates. Quanto ao «conteúdo» do congresso, o que me surpreende é que ainda há alminhas que acreditam que um congresso partidário, nesta sociedade televisiva e mediatizada, se destina a «discutir ideias». Destina-se apenas a transmitir «mensagens» aos eleitores. E isto é verdade para todos os partidos, desde o PCP ao CDS-PP, com maior incidência nos «partidos do poder». Em 2002, já lá vão 7 anos, no Público escrevia-se assim: «O PSD saiu ontem do seu XXIV congresso como para lá entrou: na mesma. Já o Governo, considera que saiu do Coliseu de Lisboa reforçado na sua acção e na sua estratégia. E terá sido precisamente para isso que serviu esta reunião dos sociais-democratas: mostrar que o partido está unido e solidário com o executivo.» Há alguma novidade? Quanto ao «culto da personalidade» não é mais do que o prolongamento do «culto da imagem» que avassala a política nos dias que correm. E aqui, o que me surpreende é o facto de os mesmo que se entregaram de alma e coração ao «obamismo» não reconhecerem, neste «culto da personalidade», por emotividades locais, a mesma «estratégia» comunicacional. Há quem não perceba a voragem do «tempo que passa» e queira avaliar comportamentos e situações presentes à luz de critérios de avaliação vigentes, pelo menos, há meio século atrás. Não sabemos até onde este «estado das coisas» pode evoluir, mas é esta a realidade.

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publicado às 23:16

||| BE: estas coisas vêm sempre ao de cima.

por Tomás Vasques, em 07.02.09

 

 

 

Na Convenção do BE confrontaram-se, hoje, a linha marxista-leninista e a linha trotskista. Os marxista-leninistas – a linha minoritária – defendem um entendimento pré-eleitoral com o PCP e que Manuel Alegre rompa com o PS, como condição para o apoio do BE a uma eventual candidatura presidencial. Aliás, no mesmo sentido, rejeitam o apoio a Helena Roseta para a Câmara de Lisboa, argumentando que nesse «peditório já deram». Por sua vez, os trotskistas – a linha maioritária –, encabeçada por Louçã, aposta forte na estratégia do «entrismo». Aliás, o slogan que enche o palco (Juntar Forças) traduz essa estratégica: parasitar (escolho os verbos com cuidado e não utilizo o martelar, doravante considerado um verbo estalinista) os movimentos e pessoas com espaço eleitoral próprio fora dos partidos políticos e capitalizá-los partidariamente. É aí que está a «mina de ouro» eleitoral do BE, já que, só por si, não chega lá. Louçã desdobra-se em declarações, intervenções e entrevistas explicando a sua estratégia: não exige a ruptura de Manuel Alegre com o PS para o apoiar nas presidenciais; está disponível para apoiar Helena Roseta e o movimento «cidadãos por Lisboa» à Câmara da capital; exibe Carvalho da Silva na abertura da Convenção e por aí fora. E não quer nada com o PCP porque Louçã sabe que se o PCP entrar lá se vai o domínio do BE na «ampla frente» anti PS. As 3 eleições deste ano e as próximas presidenciais são muito importantes para o futuro do BE, mas mais importante ainda será o papel de Manuel Alegre, Helena Roseta e Carvalho da Silva nesta estratégia. A história é madrasta: os bolcheviques de ontem passaram a ser os mencheviques de hoje. Os bolcheviques estão, dentro do BE, em minoria. E estes sabem bem, o que os deve irritar ainda mais, que Trotsky era um social-democrata que aderiu aos bolcheviques às portas da revolução de Outubro.  Pessoalmente, estou convencido que Louçã vai dar com os burrinhos na água, ou melhor, ele bem tenta fazer coelhinhos fora do BE, mas vão acabar por sair duas notas de 100 euros.

 

(Fotografia de Pedro Azevedo, ABC)

 

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publicado às 23:18

||| Ciclones e anti-ciclones.

por Tomás Vasques, em 06.02.09

A semana passada, o «caso Freeport» parecia ir de vento em popa na comunicação social. O vento adivinhava-se de feição e cada um viu na «história» uma oportunidade de aumentar as vendas e as audiências. Sempre são mais uns tostões que entram na caixa registadora. Os tempos estão maus e a facturação também. Atropelaram-se uns aos outros para desencantar a melhor «dica», como se estivessem numa mesa de café, em Sobral de Monte Agraço, a ver quem contava a melhor anedota da noite. Mas, feitas as contas, a «informação tablóide» recua perante os factos e apresenta desculpas timidamente. Esta semana, a Visão e a Sábado fizeram marcha-atrás, cada uma a seu modo, como explica Eduardo Pitta. O Correio da Manhã, também se retractou, pedindo desculpa aos visados e aos seus leitores, como escreve Tiago Barbosa Ribeiro sistematizando todo processo. Outros dias virão.

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publicado às 22:33

||| Punhos de renda.

por Tomás Vasques, em 06.02.09

 

 

 

 

 

Ilustração de Pedro Vieira.

 

Anda tudo em polvorosa, entre o escandalizado e o indignado, porque Santos Silva, numa reunião entre militantes socialistas, em resposta a criticas de Edmundo Pedro ao funcionamento interno do PS, terá respondido: «Eu cá gosto é de malhar na direita e gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas que se situam de facto à direita do PS. São das forças mais conservadoras e reaccionárias que eu conheço e que gostam de se dizer de esquerda plebeia ou chique.» A ideia está certa e a linguagem utilizada é a apropriada ao ambiente onde foi produzida. Há quem se detenha no verbo «malhar», como demasiado virulento, caceteiro; outros, mais vocacionados para as «questões ideológicas» confundem a frase com um «discurso estalinista». Tanta tinta por uma frase só pode significar que a informação está esgotada. Não há mais nada por onde pegar. É caso para dizer: Eça vem cá baixo depressa.

 

 

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publicado às 08:38



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