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||| Ironismo político em tempos de crise.

por Tomás Vasques, em 12.03.09

 

Pede-me o João, a propósito de este post, para lhe «explicar, «neste contexto socrático-albanês», o que é o «PS profundo». Podias-me dispensar de tal «explicação» porque tu sabes que eu sei que tu sabes o que é o «PS profundo». Mas, antes de te «explicar», primeiro, à laia de intróito, «explico», antes, o seguinte: primeiro, a simpatia por Manuel Alegre, proveniente dos sectores mais críticos deste Governo, sobretudo à sua direita, não tem a ver com simpatia pelo «pensamento político» do poeta – algo que não existe, aparte meia dúzia de generalidades delidas mas, para este efeito, podemos fazer de conta que existe –, nem com o «exercício da democracia» no interior do PS. É só ver como alguns desses críticos reagem quando Passos Coelho aparece na capa de uma revista para avaliar a hipocrisia derramada nessa simpatia por Alegre. Os detractores deste Governo «interiorizaram» a incapacidade de qualquer partido vencer o PS nas próximas legislativas e, vai daí, começaram a apostar tudo no «cavalo de Tróia». Mas, caso este venha a ser candidato à presidência da República, virá o tempo em que lhe vão chamar os «nomes» todos que sabem; segundo, o «contexto» que evocas só existe na cabeça de quem a quer esconder debaixo da areia. A Dom Quixote editou o ano passado A filha de Agamémnon e o Sucessor, do escritor albanês Ismail Kadaré – uma leitura aconselhável a quem insiste, tal como a ortodoxia comunista, em confundir democracia e totalitarismo. Posto isto, «explico-te», apesar de saber que é dispensável fazê-lo, o que é o «PS profundo»: são todos aqueles que têm uma relação afectiva como o PS (tal como existe em todos os partidos), à semelhança da clubite futebolística. É aquele «maralhal» (militantes, simpatizantes, eleitores) que «veste a camisola» e defende a equipa com unhas e dentes independentemente do «treinador» que lá estiver, que podemos «caricaturar» nas peixeiras de Olhão ou de Matosinhos, nas gentes da Madragoa ou dos arrabaldes das grandes cidades, que vivem em «crises» desde que nasceram, e não esperam sinecuras e mordomias do poder político.  É o «pessoal» que nunca, em circunstância nenhuma, aconteça o que acontecer, deixa o PS descer abaixo dos 20 %, como aconteceu nos idos de Almeida Santos. E esses – o PS «profundo» – não gostam, por razões afectivas, que maltratem a sua «equipa». São esses, que no momento oportuno, vão mandar Manuel Alegre às favas. É aí que reside o «erro» da estratégia de Manuel Alegre. O «pessoal» gosta de bacalhau, mas sobretudo gosta de saber se é carne ou se é peixe.

 

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publicado às 22:59

||| Quem tudo quer, tudo perde.

por Tomás Vasques, em 11.03.09

João Cravinho, em entrevista à Rádio Renascença, diz o óbvio: «O grande combate de Alegre são as presidenciais». E justifica a estratégia do poeta: «Alegre tem de lançar e cultivar a convergência de esquerda». No entanto, esquece o óbvio: o PS «profundo» (não me refiro só aos militantes, mas sobretudo aos eleitores) vai atribuir a Manuel Alegre parte da responsabilidade na perda da maioria absoluta, se tal acontecer. E esse PS «profundo» vai reduzir Alegre a candidato do BE, independentemente das «conversas entre Sócrates e Alegre». A «festa» de Manuel Alegre acaba na noite das eleições legislativas.

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publicado às 23:27

||| Imbróglios políticos.

por Tomás Vasques, em 01.03.09

Paulo Gorjão acalenta a esperança que a ambiguidade de Manuel Alegre ainda pode esticar mais meia dúzia de meses, ao contrário de Vasco Pulido Valente que não dá tanta corda a este «estado de alma» do poeta. Manuel Alegre, depois da experiência das últimas presidenciais, tomou as próximas como o combate político da sua vida, mas enleou-se na teia que foi tecendo: para tal precisa do eleitorado tradicional do PS que não lhe perdoa uma ruptura que afaste o PS do poder e, ao mesmo tempo, precisa do eleitorado do PCP e do BE, sobretudo deste. A ruptura com o PS é o fim do sonho presidencial. Resta-lhe ir «contentando» o eleitorado do PCP e do BE. As votações no Parlamento do Código do Trabalho ou sobre a avaliação dos professores fazem parte dessa «estratégia» de passar a mão pelo pêlo do eleitorado à esquerda do PS. A ausência do congresso, também. Para Manuel Alegre é irrelevante se com a sua acção provoca ou deixa de provocar «danos a Sócrates». Ele apenas quer gerir a imagem junto do eleitorado que o pode eleger presidente da República. É um jogo político em que as legislativas são apenas um instrumento das presidenciais.

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publicado às 01:01

||| Poesia. Abrir caminho.

por Tomás Vasques, em 29.10.08

Manuel Alegre, ontem, no DN, insiste no «seu» sonho: juntar no mesmo caldeirão socialistas, comunistas e trotskistas; unir a II, a III e a IV Internacional. Do cozinhado nascia a «Nova Esquerda». Para tanto bastava umas «rupturas»: que o PS abandonasse a sua matriz ideológica; que o PCP se despedisse para sempre da revolução russa e do modelo soviético; que o BE enterrasse definitivamente as suas raízes trotskistas e a sua cultura de contra-poder. Sem estas «rupturas» nunca mais haverá esquerda, avisa o poeta. E qual o rumo desta «nova convergência»? É simples: será «força transformadora da sociedade e criadora de soluções políticas alternativas.». Nem mais, nem menos. Esta «convergência» só pontualmente pode funcionar. Em eleições cujas consequências «unitárias» se esgotem no dia das eleições. Como por exemplo, para a Presidência da República.

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publicado às 08:29

||| Diferenças [2]

por Tomás Vasques, em 12.07.08

 

 

Manuel Alegre e a «Corrente de Opinião Socialista em Lisboa» lançam dia 14, segunda-feira, no Hotel Altis, às 18h30, a ops! – Revista de Opinião Socialista–, com o primeiro número dedicado ao tema Trabalho e Sindicalismo.

PS: Desolez nous n’avons pas les mêmes valeurs é uma frase estampada numa t-shirt, verde azeitona, já debotada, que comprei, em Paris, há quase vinte anos, e que sempre me acompanhou nas minhas viagens a Cuba. Mas luto para que todas as vozes se oiçam!

 

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publicado às 23:18



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