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||| Literatura chinesa.

por Tomás Vasques, em 08.09.08

 

Diane Wei Liang (Pequim, 1966) nasceu no ano em que se iniciou a Revolução Cultural. Com vinte e poucos anos envolveu-se em protestos «pouco recomendáveis». Após os massacres da Praça Tiananmen saiu da China. Sobre esse período escreveu um romance autobiográfico: O lago sem nome (Bizâncio). A mesma editora publicou este Verão O olho de Jade – um policial que, na passagem, estabelece a ligação entre os Guardas Vermelhos dos anos sessenta do século passado e a agitada vida de Pequim, hoje, desde a vertigem dos casinos à vida empresarial. «Éramos como carneiros conduzidos de um lado para o outro» (pág. 208) é a resposta à pergunta: Vocês nunca se questionaram sobre a Revolução Cultural?

 

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publicado às 01:42

||| Literatura chinesa.

por Tomás Vasques, em 31.08.08

 

Yan Lianke, nascido em 1958, é um dos mais conhecidos escritores chineses contemporâneos. Servir o Povo (teorema), publicado este Verão, em Portugal, leva-nos ao interior da Revolução Cultural chinesa de forma simples e satírica. Wu Dawang, um soldado modelo que recita de cor textos inteiros de Mao, foi escolhido para ordenança e cozinheiro de um Coronel do Exército Popular de Libertação. Servir o Coronel era «servir o povo», ao ponto de lhe ter sido ordenado «servir» a jovem mulher do seu superior. Através de uma perigosa história de amor, o autor vira a Revolução Cultural de pernas para o ar. Yan Lianke vive na China, onde o romance foi publicado e, imediatamente, proibido e apreendido. A arte, e especialmente a literatura, não rima com ditadura.

 

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publicado às 23:34

||| João Ubaldo Ribeiro. Prémio Camões.

por Tomás Vasques, em 26.07.08

 

 

Dizem os críticos literários que João Ubaldo Ribeiro sintetiza o melhor de Graciliano Ramos e de Guimarães Rosa, o que é um elogio do tamanho do oceano Atlântico. A sua obra literária estende-se pelo romance, conto, ensaio, crónica e a literatura infanto-juvenil. Atribuiram-lhe o Prémio Camões. É merecido. Em A casa dos Budas Ditosos, onde é frontal, luxuriante, provocador, irónico e belo, arruma de vez com o puritanismo pequeno-burguês. Transcrevo um minúsculo naco:

 

«Nenhuma mulher gosta do pau mole; exceptuadas dimensões aberrantes e as outras variáveis sendo equivalentes, o pau maior e vistoso é preferido. Evidente que o principal, principalíssimo, é quem é o proprietário do pau. Mas aí, se é pequeno, a mulher apenas deixa para lá, embora preferisse que fosse maiorzinho; é mais satisfatório, por alguma, ou várias, razões. Esta é que é a realidade, o resto, repito é onda e pensamento voluntarista. E nenhuma mulher sadia tem nojo do esperma, outra coisa que precisa bem esclarecida. Eu li não sei onde que alguns muçulmanos consideram ofensa suprema a mulher cuspir fora o esperma derramado em sua boca por seu homem. Eu concordo, é uma selvajaria, um sinal de baixa extracção, falta de formação, de classe, de cultura, de sofisticação. Cuspir o esperma só é admissível ou quando se quiser insultar um homem ou quando se quiser pô-lo em seu lugar: você pode ser bom para eu me distrair chupando seu pau, mas não é bom suficiente para eu engolir sua seiva, me recuso a devorá-lo, não dou às suas células essa intimidade com as minhas. Eu sou maluca

 

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publicado às 22:51

||| Luiz Pacheco.

por Tomás Vasques, em 21.07.08

 

 

«Finalmente, parece-me ter encontrado a fórmula: 1+1=1. Ou nada? É uma aposta que se decide no que já fiz em quase meio século e no que vier a fazer no tempo mais que tiver. Concentrar-me

 

Luiz Pacheco, Diário Remendado, 1971-1975 (D. Quixote, 2005).

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publicado às 22:42

||| Enrique Vila-Matas.

por Tomás Vasques, em 21.07.08

 

 

«Assomar o vazio» à procura dos Exploradores do Abismo (Teorema, 2008).

 

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publicado às 08:18

||| Viver para contar.

por Tomás Vasques, em 06.07.08

 

Truman Capote (1924-1984) estará sempre associado – e bem – ao jornalismo-ficção e ao romance de não ficção, apesar de outros escritores, como Ernest Hemingway (1898-1961) praticarem, à sua maneira, e em momento anterior, o «estilo Capote»: viver para contar. («De que é que eles estavam à espera? Sou escritor. Utilizo tudo. Será que essa gente julgava que eu estava lá só para os divertir?»). Súplicas atendidas (D. Quixote, 2008), a última obra de ficção de Truman Capote, é uma prova acabada do romance de não ficção, apesar de ser uma amostra do que o autor prometeu durante quase vinte anos. Chamo Capote à baila a propósito de uma interrogação de Pedro Almodôvar, no seu blogue: ao vertermos as nossas experiências nos blogues não estaremos a ser «exaustivos cronistas de nós mesmos»? E acrescenta: «Passando por cima que nenhum de nós possui um grama do talento de Capote, não sei se me parece boa ideia que, com excesso de entusiasmo, nos tenhamos convertido em nossos próprios Capotes». Mas – acrescento eu –, se alguma blogosfera se converteu em«cronistas de nós próprios» - o que cada vez é mais frequente - é o triunfo do estilo de Truman Capote virado para «dentro», o que, mesmo amortalhado, lhe dará muito gozo. No fundo, todos os que vivemos temos muito para contar.  

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publicado às 23:50

||| A filha de Agamémnon e o Sucessor.

por Tomás Vasques, em 03.07.08

Ismaïl Kadaré é um romancista albanês nascido em 1936. Estudou em Tirana e em Moscovo. O seu primeiro romance, O general do exército morto, publicado em 1963, narra as peripécias e as adversidades de um general italiano em busca dos soldados italianos mortos e enterrados, em terras albanesas, durante a «II Grande Guerra». É, de certo modo, um romance de culto entre os maoístas no final dos anos sessenta, princípios dos anos setenta, sobretudo pela caracterização do «indomável» povo albanês, numa altura em que o regime de Enver Hodja afrontava o todo poderoso partido comunista da URSS. Mas, Ismaïl Kadaré, apesar de ter sido deputado da Assembleia Popular de Tirana durante doze anos (1970-1982), assumiu a crítica, muitas vezes mordaz, ao regime comunista, na versão do país das águias. A filha de Agamémnon e o Sucessor – este escrito 20 anos depois do primeiro – publicado este ano em português (Dom Quixote) constitui um retrato literário da paranóia das ditaduras comunistas: da redução da dignidade humana e da liberdade individual a esterco, em nome dos «supremos interesses do partido» que, no fundo, mais não são que os interesses de um ditador e da nomenclatura que, diariamente, se humilha ao seu serviço para não descer à «profundezas do abismo».  Estes dois curtos romances de Ismaïl Kadaré continuam actuais. Em Cuba ou na Coreia do Norte, por exemplo. Mas, também, porque há, entre nós, quem nos quer vender este «produto».

 

PS – Na leitura do Sucessor, lembrei-me, em várias passagens, de Carlos Carvalhas.

 

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publicado às 21:49

||| Literatura, jornalismo e amplas liberdades.

por Tomás Vasques, em 06.06.08

 

Senel Paz é um escritor cubano, vive em Havana, e foi-lhe atribuído o Prémio de Criação Literária Casa da América Latina 2008. Em entrevista ao Público (na ípsilon de hoje) diz não conhecer o trabalho de Yoani Sánchez, também residente em Havana, jornalista da revista digital Desde Cuba e autora do blogue  Generación Y. Senel Paz, a avaliar pela entrevista, é um castrista envergonhado. Yoani Sánchez, dentro dos seus limites, vai dando umas palmadinhas no rabinho do regime. Senel Paz veio a Lisboa receber o prémio que lhe foi atribuído. O regime não permitiu que Yoani Sánchez fosse a Madrid receber o Prémio Ortega y Gasset 2008 de Jornalismo Digital, atribuído por El País. Percebe-se bem porque razão Senel Paz, escritor residente em Havana, não conhece o trabalho jornalístico de Yoani Sánchez, também residente em Havana. Tal como já aqui escrevi em Havana no pasa nada.

 

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publicado às 20:46



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