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||| Citação.

por Tomás Vasques, em 03.02.09

Os ingleses prefaciam as opiniões com “Não faço ideia do que pensam as outras pessoas, mas eu...". Os portugueses – lá vou eu – fazem o contrário. Exprimem uma opinião pessoal como se fosse um pensamento colectivo. A nossa fórmula é mais: "Eu cá não tenho opinião sobre o assunto, mas as pessoas..." "I" do eu inglês não podia ser maior nem o "e" do nosso eu ser mais "iquenino". Nós escondemos o nosso eu nos outros e os outros deixam para poderem fazer a mesma coisa. Bonito serviço – e não há nenhum português a quem não se aplique.

 

Miguel Esteves Cardoso, Público, 03.02.09

 

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publicado às 08:02

||| Citações.

por Tomás Vasques, em 11.01.09

 

 

«José Sócrates tem razão. À manifestação de disponibilidade para um debate com o primeiro-ministro, expressa por Manuela Ferreira Leite, Sócrates mandou responder que não discute os planos do Governo da maneira que ela pretendia, mas só o faz no Parlamento. Por uma vez, não é possível acusar o primeiro-ministro de autoritarismo e de não querer debater com a oposição. Na verdade, é no Parlamento que estas coisas se discutem, é ali, ou deveria ser ali, que os esclarecimentos se fazem. À vista de todos, sob observação da imprensa, sem recados nem notícias dirigidas e com ampliação pela televisão e pela rádio. Com a possibilidade de conceder livre acesso à sociedade e aos grupos de interesses.


A situação de Manuela Ferreira Leite, que não é deputada, é ou deveria ser considerada anormal. Em certo sentido deveria mesmo ser evitada. Mal ela foi eleita presidente do partido, logo se percebeu que acabaria por tropeçar neste problema. O fenómeno não é novo e traduz a pouca importância que se dá em Portugal ao Parlamento. (…)


Tudo, no nosso sistema político, parece feito para diminuir o Parlamento. Até a eleição directa dos chefes, consagrada agora pela maioria dos partidos parlamentares, é, além de uma concessão despudorada ao populismo, uma facada na Parlamento. Sem falar, evidentemente, nos hábitos adquiridos de dar o primado à televisão para os debates, os anúncios de medidas e as tomadas de posição. Discuta-se no Parlamento. Dê-se liberdade aos deputados. E, se assim se fizer, talvez um dia o Parlamento tenha vida

 

Razões, António Barreto, Público, 11.01.09 (Sublinhados meus).

 

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publicado às 08:36

||| Citações.

por Tomás Vasques, em 22.06.08

 

O direito ao anonimato, José Vítor Malheiros, Público, 22.06.2008 (sublinhados meus).

 

«Houve uma altura em que se falava do anonimato da grande cidade, das pessoas perdidas no meio das multidões urbanas. (…) Mas passar despercebido no meio da multidão foi uma expectativa que a tecnologia dos últimos anos frustrou de forma radical.
Na era electrónica pós-11 de Setembro, a multiplicação dos sistemas de vigilância, dos controlos de identidade, dos cruzamentos de documentos tornaram o anonimato impossível. Quase tudo o que fazemos está registado. Quantas câmaras de videovigilância filmam os nossos gestos?

Há sistemas electrónicos a controlar as transacções comerciais, a informação clínica, os transportes, as telecomunicações, a água, o gás e electricidade. O nosso carro e o nosso telemóvel têm dispositivos de localização que permitem saber por onde andamos – e há poucas coisas mais pessoais que um carro ou um telemóvel. (…)

A maior parte das pessoas não se sente ameaçada por esse controlo – porque confia nos sistemas sociais que o enquadram. Outros dizem que não se importam de ser vigiados porque não têm nada a esconder. Mas todos temos. E temos o direito de esconder. Uma sociedade que se arroga o direito de tudo espreitar é uma sociedade totalitária. A possibilidade de anonimato é condição de liberdade. Não é por acaso que as democracias defendem o voto secreto.

Paradoxalmente ou não, o anonimato floresceu na Internet, último espaço onde se pode ser outro e explodir em heterónimos nas redes sociais que são os novos espaços de convívio global. O infeliz caso de Megan Meier e o julgamento de Lori Drew [Uma americana de 49 anos vai ser julgada no próximo mês, acusada de criar uma identidade falsa na Internet, fazendo-se passar por um rapaz de 16 anos. O caso seria banal, não fosse o facto de ter terminado com o suicídio de uma adolescente com quem o "rapaz" se relacionara on-line] arrisca--se a resultar numa redução dessa liberdade. Descobrimos que dar um nome falso ou mentir sobre a idade na Internet pode ser crime.

Os riscos destas imposturas – nomeadamente para os jovens – são reais, mas eles podem ser usados para pôr em causa aquilo que é hoje uma das últimas reservas da liberdade individual.»

 

 

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publicado às 08:06



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