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por Tomás Vasques, em 20.11.06
NOTAS SOLTAS.


Hoje deu-me para reler uma entrevista concedida por Heidegger à revista alemã Der Spiegel, em Setembro de 1966, realizada em sua casa em Friburgo, conduzida pelo então director da revista, Rudolf Augstein. (Publicada na Revista Filosofia, nº 1 , 1989). Procurei ignorar os sublinhados e as notas à margem que resultaram da primeira leitura há quase duas décadas. Mas não conseguir alcançar outra leitura diferente da primeira: o seu comprometimento que o nazismo. À parte isso, não escondo que a frase “o autoritarismo e rigidez que a democracia permite” atribuída à acção de “Cavaco e Sócrates” escrita por Vasco Pulido Valente, no Público de hoje – e sem querer fazer qualquer comparação completamente desajustada –, tenha constituído o ponto de partida, na medida em que me lembrava vagamente queHeidegger, no seu discurso de tomada de posse, em 1933, como reitor da Universidade de Friburgo, tinha considerado a “liberdade académica” como uma “liberdade negativa”. E que meia dúzia de meses mais tarde se tenha referido à nomeação de Hitler no cargo de chanceler do Reich “como a grandeza e o esplendor deste movimento”. Isso conduziu-me à «bandalhice" versos "firmeza" em democracia. Nesta entrevista, Heidegger explica as suas posições naquela altura com os mesmos fundamentos que justificaram, entre nós, a queda da primeira República e o aparecimento do salazarismo: “Eu então não via nenhuma alternativa. Entre a confusão geral de opiniões e das tendências políticas de 22 partidos, era necessário uma tomada de posição nacional e, sobretudo social”. Ora, ao contrário do que VPV escreve, a “firmeza”e o “não depender da rua” de Cavaco e Sócrates nada tem a ver com a ascendência provinciana e, muito menos, decorre do facto de vivermos “Num país politicamente educado por Salazar”. É apenas uma consequência necessária à sobrevivência da democracia, sobretudo em situações de crise económica. É um sentimento de defesa dos dirigentes das classes no poder. Como já foi sobejamente provado, a “bandalheira” facilita a ascensão dos extremos - seja de extrema-direita, seja de extrema- esquerda.

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