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por Tomás Vasques, em 28.04.06
O discurso do Senhor Presidente visto de estibordo e de bombordo:

Triste sina:Mais surpreendente do que o discurso com que o professor Cavaco Silva decidiu abrilhantar o 25 de Abril foi o coro de elogios hiperbólicos e de interpretações estapafúrdias que a nata do país lhe dedicou, tentando dar peso e significado a uma intervenção que, bem vistas as coisas, se ficou pelo enunciado do mais estafado lugar-comum. Ao pronunciar-se contra a exclusão social, sem se deter nas suas causas, nem definir formas de a combater, o novo Presidente da República limitou-se a debitar um conjunto de boas intenções, que todos sem excepção partilham, devidamente condimentado por velhinhos sem tecto, mulheres espancadas por maridos alcoólicos e crianças indefesas, limitadas nos seus justos e precários anseios. Nada que uma candidata a um concurso de beleza não tenha alinhavado na sua cabecinha, quando chega a hora da vitória e o momento de revelar publicamente que gostaria de acabar com a pobreza em geral e com a fome dos mais desfavorecidos. É evidente que ninguém se dá ao trabalho de andar por aí perguntar às misses de todo o mundo como é que elas tencionam contribuir para esse louvável propósito. Mas seria de esperar que a reacção a um discurso presidencial fosse um pouco mais exigente e não resvalasse unanimemente para um entusiasmo pueril perante um "compromisso cívico" em torno de meia dúzia de vacuidades. Constança Cunha e Sá, no Público.
Um discurso "significante":O discurso é expressão clara de uma coabitação que actualiza o conceito de cooperação estratégica. O exemplo mais claro disso é a referência de modo explícito ao PNAI (Plano Nacional de Acção para a Inclusão), que foi revelado no dia seguinte pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 40/2006. Ou seja, o Presidente da República usou esta oportunidade para ampliar o significado de uma medida governamental que ainda não fora publicada, para lhe dar uma visibilidade que nunca teria sem tal referência; no fundo, optou nesta sua primeira intervenção de alto coturno político por se "colar" a uma estratégia governamental. A felicidade estampada na cara do primeiro-ministro e os aplausos da bancada socialista não enganam. (...) Com mágoa e raiva o digo: deve ser muito difícil encontrar no mundo mais desenvolvido elites mais egoístas, com menos sentido social, mais desinteressdas com as dores dos que são trucidados pela roda da vida e com o sofrimento dos seus concidadãos, do que as elites portuguesas. Com raras e honrosas excepções, os grandes patrimónios portugueses, as grandes empresas que têm lucros muito vultuosos, os tycoons que acumulam fortunas rápidas, nada fazem para acudir aos excluídos, não dão nada de seu para tentar minorar as dores dos danados da terra. Por isso é politicamente cheio de "significado" este apelo a uma "mobilização geral, uma verdadeira campanha em prol da inclusão social". O apelo, e o que pressupõe, pode exprimir a base teórica e anunciar a dinâmica ideológica do quinquénio cavaquista. O que para muitos será considerado um paradoxo: o Presidente eleito por uma base de apoio mais à direita poderá fazer da inclusão social a razão de ser do seu magistério.Mas este só é um paradoxo para quem não estuda História. Em épocas de profunda reestruturação económica, num momento histórico em que temos ainda os pobres das sociedades tradicionais, já os pobres das sociedades em transição acelerada e até os pobres das sociedades pós-industriais (como há 20 anos - sem que ninguém ligasse - tantas vezes escrevi), o puro instinto de sobrevivência (à falta de alguma virtude teologal) deverá levar os mais favorecidos a redistribuírem parte do que acumularam. Assim seja! José Miguel Júdice, no Público.

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