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Voando sobre um ninho de cucos.

por Tomás Vasques, em 15.12.14

A nossa mais antiga instituição bancária – o BES -, que nasceu na Calçada do Combro, no século XIX, na mesma altura em que, ali, nas imediações, Antero de Quental se debruçava, no Casino Lisbonense, sobre as Causas da Decadência dos Povos Peninsulares, morreu subitamente nos primeiros dias de Agosto deste ano. Apesar da provecta idade, até ao último dia poucos esperavam tal desfecho.

Como se lembram, dias antes, o senhor presidente da República, nos confins do mundo, na Coreia do Sul, tranquilizou a família, os amigos e demais interessados. Com ar circunspecto, disse: “os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo dado que as folgas de capital são mais que suficientes para cumprir a exposição que o banco tem à parte não financeira, mesmo na situação mais adversa”. Sublinho: “podem confiar, mesmo na situação mais adversa”.

Também o senhor primeiro-ministro, na mesma altura, garantiu aos portugueses: «Não há nenhuma razão que aponte para que haja uma necessidade de intervenção do Estado num banco que tem capitais próprios sólidos, que apresenta uma margem confortável para fazer face a todas as contingências, mesmo que elas se revelem absolutamente adversas, o que não acontecerá com certeza”.

Afinal, “o podem confiar” e “o que não acontecerá” aconteceu. Dias depois, facto insólito, Marques Mendes, o porta-voz disto tudo, anunciava que o BES se finara. No dia seguinte, o governador do Banco de Portugal confirmou oficialmente o óbito. Nessa noite, amortalharam o corpo do Espirito Santo num lençol branco, supostamente novo, debruado com borboletas, e cobriram as palavras dos mais altos dignatários da Nação de ridículo, senão mesmo com um “manto diáfano” de perversão.

(ler na integra aqui)

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publicado às 14:52

AUDIÇÕES PARLAMENTARES (2) |

por Tomás Vasques, em 09.12.14

As comissões parlamentares de inquérito são entretenimentos da deputação visando alcançar dividendos político-partidários. Ricardo Salgado navegou por entre as perguntas dos senhores deputados como um peixe de águas profundas, exigindo-lhes que saíssem da superfície se o quisessem apanhar. Mas a deputação não estava lá para isso. Chega-lhes colecionar conversa para o relatório final, no qual se vão debater duas teses de superfície: uns, vão querer concluir que o governador do Banco de Portugal e o governo agiram mal e são os culpados do que aconteceu ao BES; outros, vão tentar conclui que o governo decidiu bem e não se deixa encantar pelos poderosos. É pouco, muito pouco, para justificar a existência destas comissões. E mais não digo.

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publicado às 19:38

AUDIÇÕES PARLAMENTARES.

por Tomás Vasques, em 09.12.14

Passei a manhã a ouvir o Dr. Ricardo Salgado a responder na comissão de inquérito parlamentar. Socorro-me de Raul Brandão para transmitir o meu estado de espírito: “O que se diz nas Câmaras precisa de ser explicado nos corredores, para ser compreendido. O principal é o que se diz ao ouvido. Aquilo ali nas Cortes é apenas aparato”

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publicado às 14:44

O milagre das rosas e a teoria do ketchup

por Tomás Vasques, em 08.12.14

A reunião de hoje do Eurogrupo sublinhou a sua desconfiança em relação os números que sustentam o Orçamento de Estado para 2015. Deram um moratória ao governo para provar que o números e previsões estão certos,como defende a ministra das Finanças. Como escrevi há dias no Repórter Sombra este Orçamento assenta no milagre das rosas e na teoria do ketchup. Termina assim:

 

No entanto, o governo não se ficou por aqui. Quis mostrar com este Orçamento que a “salvação” está ao dobrar da esquina ou, em linguagem mais directa, ao dobrar das próximas eleições. Para acertar os números, atirou o crescimento económico para 1,5%, faz baixar significativamente o desemprego e subir até ao limite as receitas fiscais. Meia dezena de instituições, nacionais e estrangeiras, que não têm nos seus pergaminhos fazer oposição ao governo, ao tomarem conhecimento da proposta de Orçamento, alertaram para este delírio. Contudo, o governo não se deu por achado e fundamentou as suas previsões, através de dois dos seus ministros, associando a nossa melhor tradição milagreira, que já vem desde D. Fuas Roupinho, cujo cavalo estacou à beira de uma falésia, por ordem de uma Nossa Senhora, poupando a vida ao cavaleiro, com a “teoria do ketchup”, cujas raízes populares são sobejamente conhecidas, quer de cozinheiros, quer de comensais utilizadores desta pasta atomatada.

Os fundamentos milagreiros ficaram a cargo da senhora ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. Em Oliveira de Azeméis, em discurso aos crentes, militantes do PSD, disse: “As nossas previsões não são optimistas demais. Acreditamos que podemos ter surpresas positivas ao longo do ano de 2015”. Foi uma declaração de fé, já que não adiantou uma única palavra que sustentasse a sua crença. Coube ao senhor ministro da Economia, Pires de Lima, no Parlamento, esclarecer a fé da sua colega de governo. Disse o senhor ministro Pires de Lima que o investimento, indispensável ao cumprimento das previsões do governo, “ é como o ketchup, aperta-se e não sai nada, aperta-se e não sai nada e de repente sai tudo num golpe”. Em 2015, os portugueses ficam, assim, entregues a crenças milagreiras. Se não acontecer um milagre, ao menos que salte a tampa ao frasco de ketchup. Em suma: estamos todos tramados!

(ler na integra aqui)

 

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publicado às 20:59



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