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Fumo branco.

por Tomás Vasques, em 29.09.10

Nos últimos dias, a propósito do Orçamento de Estado para 2010, economistas caseiros, sobretudo ex-ministros, e economistas da OCDE têm distribuído receitas e conselhos, como quem distribui milho aos pombos. Cada um sabe da poda e aponta os caminhos para sairmos da cepa torta, apesar das receitas serem diferentes umas das outras. Cada um atira um condimento para este caldeirão da consolidação orçamental: entre subir as receitas e baixar as despesas; entre manter o crescimento ou entrar em recessão; entre a necessidade de investimento público e o preço do dinheiro. As variáveis são tantas, com os consequentes efeitos de cada uma delas na economia, que tornam o debate técnico redondo. Por isso, resta uma única questão: quem será penalizado eleitoralmente pela inevitável subida de impostos? O partido do governo, que elabora e propõe o OE, quer levar consigo, pela mão, o principal partido da oposição e, assim, repartir os agravos. Este barafusta, pretendendo resguardar-se, mas teme a penalização que lhe cairá em cima caso o Orçamento não seja aprovado e daí salte uma profunda crise política de consequências imprevisíveis, sobretudo ao nível da reacção dos mercados de capitais. Hoje, o Presidente da República vai falar com os dois partidos, o do governo e o da oposição. E, é quase certo, vai obter resultados. Cavaco Silva não arriscaria um fiasco a três meses das eleições presidenciais.

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publicado às 09:00

A penosa caminhada de Manuel Alegre.

por Tomás Vasques, em 29.09.10

 

 

Manuel Alegre, em fim de carreira política (que no fundo se resume a trinta e tal anos sentado no Parlamento), candidatou-se à presidência da República, pela segunda vez, acalentando o sonho de ser o Hugo Chávez português, o cavaleiro andante do «socialismo do século XXI», o quebra-bilhas da Europa capitalista. Mas, para sua desdita, o poeta não tem os pergaminhos de militar de carreira do tenente-coronel venezuelano, nem Francisco Louçã, o seu inventor nesta segunda candidatura, tem força política para o levar ao colo até Belém. Para Manuel Alegre, enquanto candidato à presidência da República, mais pesada que a derrota eleitoral de Janeiro próximo, foi a estrondosa derrota nas eleições legislativas de Setembro de 2009, há precisamente um ano. O ex-deputado socialista apostou tudo na derrota do PS e num significativo crescimento eleitoral do Bloco. Procurou, ao lado de Louçã, no Teatro da Trindade e na Aula Magna, chamar ao BE os descontes de esquerda com a governação socialista e os órfãos partidários. Não perdeu, então, uma única ocasião para se vilipendiar o partido onde sempre se abrigou, ameaçando dia sim, dia não com a formação de outro partido. O sonho parecia simples e exequível: 1) um PS derrotado, em crise e à beira da implosão; 2) um BE forte, com 17 ou 18%; e Manuela Ferreira Leite a dirigir o governo e a aplicar duras medidas de austeridade. Esta era a base de partida para o projecto «venezuelano»: a vitória nas eleições presidenciais e a constituição de um partido socialista unificado, com o BE, destroços do PS e órfãos e descontentes de todas as matizes. O PCP viria a reboque, tal como na Venezuela os comunistas andam a reboque do tenente-coronel e do seu «socialismo do século XXI» – uma mistela ideológica, onde a ambição pessoal ocupa um espaço privilegiado. Raramente a realidade acompanha o sonho. A vitória de José Sócrates nas legislativas e o insuficiente resultado eleitoral do BE esburacaram a urdidura. Agora, apenas assistimos a uma penosa caminhada de Manuela Alegre até Janeiro. Canta o guião como no sonho que inventou, fazendo eco dos discursos de Loução, mas atabalhoado, sem alma, nem jeito, vazio, sem se dar conta da realidade. A vitória do PS há um ano atrás foi a derrota do sonho «presidencialista» e do projecto «socialismo do século XXI»» da dupla Manuel Alegre-Francisco Louçã. José Sócrates percebeu isso desde o primeiro segundo. Por isso, mesmo fazendo-se rogado, deu-lhe tranquilamente o abraço de urso.

 

 

(Publicado no Aparelho de Estado)

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publicado às 00:24

Assim vai o socialismo tropical (2).

por Tomás Vasques, em 27.09.10

Ontem realizaram-se eleições legislativas na Venezuela. Os representantes da oposição (todos os partidos da oposição se uniram contra os partidários de Hugo Chávez) obtiveram 52% dos votos dos eleitores, apesar de elegeram apenas 61 deputados contra os 96 eleitos pelos chavistas (quando faltam eleger 6 deputados). Apesar da perversão do sistema eleitoral e dos meios desiguais de acesso aos media, estes resultados mostram como os venezuelanos se opõem à cubanização do regime.

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publicado às 08:54

Assim vai o socialismo tropical.

por Tomás Vasques, em 26.09.10

O governo cubano, após meio século de «construção do socialismo», começou a desmontar os andaimes: vai despedir um milhão de funcionários públicos, 500 mil dos quais nos próximos 6 meses. Para fazer face à situação, o governo decidiu abrir à iniciativa privada 178 profissões que até agora só podiam ser exercidas pelo Estado, tais como engraxador, jardineiro, vendedor de fruta ou mecânico de automóveis. O ministro da Economia, Marino Murillo, e o vice-ministro do Trabalho e Segurança Social, José Barreiro, declararam ao Granma: «O emprego privado é uma das medidas que vão permitir aumentar os níveis de produção e eficiência da economia». Repito: a actividade privada aumenta os níveis de produção e eficiência da economia – diz o governo cubano. Nos corredores da sede do PCP, em surdina, para justificar a justeza da «linha ideológica» dos comunistas portugueses, já se deve comentar que os camaradas cubanos estão a destruir o socialismo e não tarda muito se dirá que «a interferência do imperialismo americano» levou à morte o «socialismo cubano». Por cá, eles gostavam de nacionalizar tudo, até os engraxadores.

 

 

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publicado às 15:31

Batata quente.

por Tomás Vasques, em 25.09.10

Quando em Agosto, em Quarteira, Passos Coelho pediu para José Sócrates se demitir até 9 de Setembro, o presidente do PSD sabia que, depois dessa data, ficava com uma batata quente nas mãos: o ónus de ter de aprovar o Orçamento de Estado. E tinha razão.

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publicado às 22:58

Treinador de sofá.

por Tomás Vasques, em 25.09.10

Estes jogos entre equipas classificadas na segunda metade da classificação são sempre muito monótonos. Marítimo e Benfica chegam ao intervalo empatados sem golos.

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publicado às 20:05

Agenda cultural.

por Tomás Vasques, em 25.09.10

 

 

Exposição Livros de Artistas, dos finalistas da ESAD.CR, no Centro Cultural das Caldas da Rainha. Nas fotos os trabalhos de Eunice Artur e Hélder Gorjão.

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publicado às 16:15

Todo o Mijo do Mundo.

por Tomás Vasques, em 25.09.10

 

 

A editora Perpectivas & Realidades publicou um texto do Bureau Surrealista de Lisboa, escrito no Equinócio de Outono de 1978, já lá vão mais de 30 anos, intitulado Todo o mijo do mundo. João Soares ofereceu-me há dias um exemplar, assinado pelo punho de Mário Cesariny. O texto termina assim:

 

«Queremos a cidade inteira a afundar-se nos seus fumos, com os sinos a tocar enquanto queimamos os espinhos dos espíritos santos no centro da terra. Espalharemos as cinzas à luz da lua. Finalmente pode-se escolher depois de uma agonia infinitamente longa, voltar para os ministros epilépticos e ter a esperança que o seu cheiro a ranço envolva e coroe as ruínas. Ficaremos de respiração suspensa a ouvir os seus ossos a inchar.»

 

Os surrealistas fazem falta. E o Mário Cesariny também.

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publicado às 15:08

Liberdade de expressão, arte e censura.

por Tomás Vasques, em 25.09.10

 

 

Na 29ª edição da Bienal de São Paulo, que hoje se inaugura, o artista plástico pernambucano Gil Vicente expõe um conjunto de desenhos a carvão sobre papel, intitulado Inimigos, onde se auto-retrata a executar – literalmente – políticos de todo o mundo, desde Lula a Bento XXI, passando por Bush e pela rainha de Inglaterra. A Ordem dos Advogados do Brasil pediu a retirada das obras da Exposição, alegando que se trata de um «incitamento à violência sobre o poder e as instituições que os visados representam», pedido recusado de imediato pela direcção da Bienal. É digno de sublinhar que uma tentativa de censura levou a que os ditos desenhos (e o seu autor) ganhassem uma notoriedade impensável, passando a ser conhecidos em todo o mundo (já tinham estado expostos anteriormente no Recife, Natal e Porto Alegre sem que ninguém desse por eles). Moral da história: a censura não compensa. Nunca mais aprendem, ainda por cima vinda da Ordem dos Advogados do Brasil que sempre se distinguiu na luta contra a censura.

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publicado às 13:52

Exageros (2).

por Tomás Vasques, em 20.09.10

 

 

 

 

 

 

Hoje ainda se demite alguém porque publica um livro?

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publicado às 19:42

Exageros.

por Tomás Vasques, em 20.09.10

Maradona: se aceitas um conselho, que outros desprezaram, não esperes até ao último momento para comprovares que a vaselina tem areia. Esperneia ao primeiro momento sem medo de exageros. Já lá dizia o sacana do Brecht: «Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.» Além do mais, o Mário Viegas tem sempre razão.

 

Adenda: Maradona, desculpa o incómodo. A Ana Cristina Leonardo insiste que aquele poema, muitas vezes erroneamente atribuído a Brecht, é de um pastor alemão, protestante – diz ela.

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publicado às 17:22

Ai Europa, Europa!

por Tomás Vasques, em 20.09.10

A Europa está, outra vez, a enlouquecer, como lhe aconteceu no final dos anos 30 do século passado. A cultura democrática, liberal à moda antiga, esvai-se com medo das minorias. Perde o respeito à maior riqueza que possui: o respeito pela diversidade. Teme que os homossexuais lhe destruam a reputação, porque preferem o segredo das casas de banho e das sacristias; teme que lhe roubem o emprego, como se desejasse ardentemente trabalhar na construção civil e afins; teme que os muçulmanos lhe levem a mulher para a cama, como se tivesse mulheres que valesse a pena o esforço; teme o modo de vida dos ciganos, como se pretendesse vaguear por aí sem raízes, sem ordenado fixo e sem destino. As crises financeiras e económicas antecedem sempre estes recuos. Foi assim no passado. E é assim, agora. Até os suecos se deixaram embalar pelo medo das minorias ao dar expressão eleitoral a uma extrema-direita troglodita, para não falar na deriva do senhor Sarkozy. A Europa está a caminho de uma pobreza que há muitas décadas não conhecia. Mas, ao menos, que mantenha a dignidade democrática. Que não se prepare para queimar livros.

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publicado às 15:37

Agenda cultural.

por Tomás Vasques, em 15.09.10

 

 

Amanhã, 16 de Setembro ( e até 27 de Outubro), inauguração da exposição de pintura de Ricardo Paula, na Galveias, Galeria de Arte, Rua da Misericórdia, 83, em Lisboa.

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publicado às 09:10

Em 1978, três anos após a aprovação da Constituição de 75, Francisco Sá Carneiro, presidente do PSD, decidiu dar um contributono cumprimento de um dever cívico de cidadão») para «um aprofundamento global da Constituição que temos, e daquela que necessitamos para os anos 80». Atendeu a «posições de militantes do partido com especial competência em matéria jurídico-constitucional, como o Professor Jorge Miranda» e solicitou a colaboração de Marcelo Rebelo de Sousa e de Margarida Salema, assistentes de Direito Constitucional. O resultado foi a apresentação pública, em livro, preto no branco, em Janeiro de 1979, de Uma Constituição para os Anos 80 (Edições D. Quixote), apresentada, nas palavras do seu autor, como representando o «empenhamento de um cidadão» que pretende 1) «uma Constituição que una e não que divida os portugueses» e 2) «encontrar fórmulas que possam suscitar uma conciliação apreciável de pontos de vista com os outros partidos democráticos». Passos Coelho, o actual presidente do PSD, fez tudo ao contrário. Começou por deixar cair, aos bochechos, em entrevistas, aspectos de uma proposta de revisão contitucional que tinha lido na diagonal . Face à avalanche das críticas, recuou e enviou o dito projecto para ser «burilado». Depois, fez aprovar a proposta em Conselho Nacional, em Julho. No entanto, este órgão partidário não aprovou o projecto final. Entretanto, em Agosto, o projecto foi sofrendo sucessivas alterações, como por exemplo quanto às competências do Presidente da República. Nalguns casos, é pior a emenda do que o soneto: transformar  «razão atendível» de despedimento em «razão legalmente atendível» até fez rir o circunspecto professor Jorge Miranda. Ontem, finalmente, o PSD aprovou na Comissão Política Nacional um projecto de revisão constitucional, o qual não cumpre nenhuma das duas permissas da proposta apresentada há 30 anos por Sá Carneiro: nem é uma proposta que una e não que divida os portugueses, nem suscita uma conciliação apreciável de pontos de vista com os outros partidos democráticos. Nem era para cumprir, já que se trata-se de uma manta de retalhos (Paulo Rangel diz que o projecto reflecte «as várias sensibilidades do partido») destinada apenas a consumo interno, o que não deixa de ter os seus méritos na clarificação da matriz política e ideológica dos social-democratas. Sejamos claros, ninguém no PSD acredita que o projecto de revisão constitucinal tem por objectivo  rever a actual Constituição. Contudo, dada a trapalhada, esta necessidade de resposta interna, pode ter ferido de morte a credibilidade política de Passos Coelho.

 

(publicado no Aparelho de Estado)

 

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publicado às 00:16

Combate de Blogues.

por Tomás Vasques, em 14.09.10

 

 

No último Domingo, o Combate de Blogues, na TVI 24, convidou Mário Nogueira Guinote. Enquanto este «discursava», Nuno Ramos de Almeida, bem disposto, dizia a tudo que sim.

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publicado às 18:40

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