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Livros.

por Tomás Vasques, em 24.08.09

 

 

 

 

Hotel Íris (Quetzal, 2009) da japonesa Yoko Ogawa (1962) é uma história de amor e desejo que se começa a desenhar quando uma jovem de 17 anos, atrás da recepção de um hotel, ouviu: Cala-te puta. As palavras não lhe eram dirigidas, mas «A voz do homem seguiu a direito dele até mim» – confessa Mari. A partir daí, Mari, como que encantada, corre atrás daquela voz obsessivamente, passando todas as barreiras, sem saber sequer «se aquilo que o tradutor fez ao meu corpo é normal ou não». Yoko Ogawa, numa escrita límpida e sensual, prende o leitor no primeiro parágrafo e leva-o pela mão até à última página desta singular história de amor.

 

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publicado às 17:00

Notários.

por Tomás Vasques, em 23.08.09

 

Carla Cristina Fernandes é bastonária da Ordem dos Notários. Numa entrevista ao Correio da Manhã diz que, quanto aos notários, a «política do Governo PS retoma a de Oliveira Salazar». E explica porquê: «os notários eram profissionais liberais até 1949. Com o advento do Estado Novo e do dr. Oliveira Salazar, foram transformados em funcionários públicos. Em 2005, voltaram a ser profissionais liberais. Aquilo que se está a fazer é uma renacionalização do notariado.» Mas, no fim da entrevista, desabafa: «Estou muito cansada de ser notária. Estou seriamente preocupada com a viabilidade financeira do meu cartório. Não sei o que vai acontecer ao meu cartório dentro de um ano. Os notários já têm um decréscimo de receitas de 78,38 por cento.» Fiquei sem perceber se a senhora bastonária quer manter a sua actividade como profissão liberal, com os riscos inerentes, ou voltar à «comodidade financeira» do tempo de Salazar.

 

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publicado às 20:57

 

 

«É minha obrigação ficar à frente do Bloco e do PCP».

 

Paulo Portas, presidente do CDS-PP, em entrevista ao Expresso.

 

 

Memória passada.

 

«Em nenhum país civilizado os trotskistas estão a um ponto percentual dos democratas-cristãos»

 

Paulo Portas, 20 de Fevereiro de 2005.

 

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publicado às 17:26

Citações.

por Tomás Vasques, em 23.08.09

A frase-chave de MLF, indiciando o espírito da coisa, foi: "Eu não quero saber se há escutas ou não, eu não quero saber se há retaliações ou não, o que é grave é que as pessoas acham que há." Dito de outra maneira: não venham cá com a mania dos factos que o importante é que se ache alguma coisa sobre o assunto. (…)

E o interessante é que a gloriosa frase, além de atestar a marca genética lusa da autora, define uma linha, aponta um rumo, escreve, enfim, um programa eleitoral. Cujo é, sem mais delongas: o PSD vai para a suspeita, depressa e em força. Suspeita é a condensação da frase-chave - é o seu sumo. Daí que eu tivesse deslindado o tal mistério do Verão (ajudado, também, por naquele destapar durante a entrevista, dizendo o programa tão curto que talvez coubesse numa folha A-4). Cabe, cabe. O programa do PSD é isto, numa folha branca, escrito com marcador grosso: "Hmmm..."(…)

Aguiar-Branco, na festa do Pontal do PSD, já tinha dado o mote: "Suspeita-se", disse-o cinco vezes num parágrafo. Pacheco Pereira sintetizou: "Só faltava que fosse proibido falar das suspeitas sobre o Governo." E MLF filosofou com a frase que já referi. Tudo numa semana e como antevisão do programa eleitoral que vai ser: "Hmmm.." E, na Grande Entrevista, MLF avisou que vai ser um programa para cumprir. Suspeito, até, que será cumprido todinho durante a campanha: suspeitas, suspeitas, suspeitas.

Ferreira Fernandes, DN, 23 de Agosto de 2009.

 

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publicado às 09:32

Entendimentos à «esquerda»?

por Tomás Vasques, em 21.08.09

Há no PS quem pense que é possível um entendimento com o PCP ou com o BE para governar Portugal. Podem tirar o cavalinho da chuva. E não é tanto por causa de Karl Marx, mas sim por causa de Lavrentiy Pavlovich Beria. Isto é uma evidência. E se dúvidas existissem, este texto de Leandro Martins, chefe de redacção do Avante, dá a medida dessa impossibilidade.

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publicado às 14:13

O Profissional.

por Tomás Vasques, em 21.08.09

Escrevo de vez em quando no Simplex, um blogue que reúne dezenas de bloggers que votam no PS nas próximas legislativas. Conheço praticamente todos os seus colaboradores. Por isso, não deixo passar em claro as injúrias bolsadas por Pacheco Pereira na Sábado desta semana. Não me espantam tais injúrias porque o seu autor vive de as produzir sob a artimanha de «luta política». Já aqui escrevi que Pacheco Pereira é uma das mais interessantes personagens da cinematografia política portuguesa. Deambulou anos a fio, empenhado, pela mediocridade do aparelho partidário do PSD; defendeu com unhas e dentes, sem assomo de pudor, a maioria absoluta cavaquista; foi durante anos um parlamentar do regime, beneficiando de mordomias e «regimes legais» de excepção inacessíveis aos demais portugueses; e é um dos políticos portugueses mais bem pagos para «fazer» política. Depois, na oposição, age como um propagandista, no bom estilo marxista, quando usa (e usa muito) a comunicação social e é um exímio agitador leninista quando usa o blogue. Vê o mundo a preto a branco, cada vez mais: de um lado Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite; do outro, todo o mundo. É, nas horas vagas, historiador. Do comunismo, principalmente. Contudo, penso que é nesta sua faceta de historiador, é nos seus estudos sobre o comunismo, que reside o mal dos seus pecados políticos. É aqui que ele alicerça a sua visão do mundo a preto e branco. Para ser mais rigoroso, Pacheco Pereira já tinha feito a primeira comunhão na adolescência, na extrema-esquerda. E prosseguiu, quase inconscientemente, tomando repetidamente a hóstia, através da história do comunismo. Pacheco Pereira é um comunista (na análise, na metodologia e na luta política) estilo vintage. Nem sequer abandonou o vulgar argumento, enraizado na «velha guarda» formada nos corredores do Komintern, segundo o qual os adversários políticos sempre «estão a soldo» de alguém. No texto a que me refiro, no Semanário, ele usa a mesma desfaçatez. Pacheco Pereira escolheu o PSD para travar os seus combates políticos, como podia ter escolhido o PCP ou o Bloco de Esquerda. Mas, em democracia, cada um escolhe o partido que lhe dá na gana. Com a vantagem de no PSD não ter de dar parte do dinheiro que ganha na política e nos jornais ao partido.

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publicado às 09:08

Os cordeiros...

por Tomás Vasques, em 14.08.09

O caminho que muitos, por cá, gostariam de percorrer : fazer de cordeiro até criar as condições para vestir a pele do lobo. É uma história mil vezes repetida.

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publicado às 13:08

Programas secretos.

por Tomás Vasques, em 13.08.09

A deputada do BE Helena Pinto terá afirmado a semana passada que “o Partido Socialista tem um programa que é secreto”. Ora, sendo público o programa do PS, a afirmação é uma encenação própria da liturgia e da cultura política da extrema-esquerda.

     Mas, comecemos pelo princípio. O BE (uma coligação de extrema-esquerda, unindo personagens e grupos irredutivelmente desavindos nos anos 70 e 80) é o fenómeno político mais relevante desta década. Desde logo, pela capacidade de unir vaidades pessoais e sectarismos de grupo que se anavalhavam nas estreitas e envelhecidas vielas ideológicas que frequentavam. Em segundo lugar, pelos resultados eleitorais e pelo fascínio sobre a juventude que tal convergência produziu. E, finalmente, porque souberam enfeitar a sua matriz ideológica e política e os objectivos estratégicos com fitinhas coloridas, como se de uma prenda de Natal se tratasse.

     O invólucro assim enfeitado – que vai da defesa dos animais ao ambiente, das zonas uraníferas ao combate à corrupção – tem lastro para fidelizar o seu eleitorado nuclear (o que opta em função da matriz ideológica) e, ao mesmo tempo – pela transversalidade das «causas» – atrair os descontentamentos, as vinganças e os revanchismos: do PSD, do CDS e, sobretudo, do PS (os que se sentem penalizados por medidas do Governo, sejam professores ou magistrados). O BE repete, hoje, o papel que coube ao PRD há mais de vinte anos: o de tubo de escape de desenfados e pecados. Não faltam sequer coincidências no «discurso» moralista. E, tal como aconteceu com o PRD, também hoje há militante do CDS e padres católicos a abraçarem o BE.

     Contudo, o BE não tem nenhuma prenda de Natal para oferecer aos portugueses. Tal como o PCP, o BE só concebe uma sociedade «justa» sem grupos económicos, sem economia de mercado, sem iniciativa privada. Querem repetir as receitas falidas e enterradas nos escombros do muro de Berlim. «A todos o que é de todos» – não é um slogan de ocasião; é todo um programa. Começaria pelo controlo da actividade bancária (afim de estrangular a actividade económica) e um vasto plano de nacionalização dos sectores estratégicos («energia, água, transportes públicos, vias de comunicação, entre outros»), como consta no seu programa. Depois, se lhes fosse permitido, iria por aí fora. Mais cedo ou mais tarde entrariam pelos supermercados a fixar o preço do pão e do leite. Hoje, sabemos onde estes caminhos desembocaram: na miséria, no desemprego e na privação das liberdades.

Há descontentamentos, vinganças e revanchismos eleitorais que podem custar muito caro e durante muitos anos.

 

 

Publicado no Diário Económico.

 

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publicado às 16:04

||| Misturas explosivas.

por Tomás Vasques, em 11.08.09

Elidérico Viegas, empresário hoteleiro e presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, decidiu desancar no programa de animação Allgarve, promovido pelo Ministério da Economia. Mas Elidérico Viegas é também candidato a deputado do PSD pelo círculo do Algarve.  E aqui é que a porca torce o rabo. Não se sabe quem está a falar: se o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve a defender os empresários aí associados ou se o candidato do PSD a tratar da sua vida para ser eleito. Há misturas explosivas e a de empresários e cargos políticos é uma delas.

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publicado às 14:49

||| A barbárie «anti-imperialista».

por Tomás Vasques, em 10.08.09

 

Há pouco tempo Jorge Cadima escreveu nas páginas do Avante uma das maiores defesas do regime iraniano e da fraude eleitoral. No texto incontroladamente apologético, pode ler-se: «Que tal enviar para Teerão os responsáveis pela prisão de Abu Graibe no Iraque ocupado, ou do campo de concentração de Guantanamo, para ensinar a médio-orientais medievais os altos padrões democrático-ocidentais no tratamento de presos políticos?» Hoje temos a notícia de que não é necessário enviar ninguém para dirigir as prisões de Teerão. A barbárie defendida por Jorge Cadima está a ser denunciada: manifestantes presos estão a ser violados na prisão. “Algumas pessoas presas têm afirmado que jovens mulheres foram violadas de forma selvagem. Jovens homens também foram violados de forma selvagem.” A própria polícia confirmou que aconteceram violações graves no centro de detenção de Kahrizak. Há quem não consiga estar contra Abu Graibe, Guantanamo, Kahrizak e todas as prisões políticas do mundo ao mesmo tempo. Precisam de defender Kahrizak contra Abu Graibe. Têm a «sensibilidade» ideológica para defender a barbárie nas prisões políticas dos «países anti-imperialistas».

 

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publicado às 15:49

||| O Chico-espertismo.

por Tomás Vasques, em 10.08.09

 

Há quem chame a Agosto o «mês estúpido». Ainda não entendi o porquê da designação. Hoje, no Diário Económico, José Gil dá uma entrevista de 4 páginas. E, entre os «pensamentos» que vai desfiando, vem também à baila o mês de Agosto. Quando lhe perguntam se o mês de Agosto é um fenómeno, responde: «É daquele tipo de realidades criadas por um discurso, fabricadas artificialmente, mas que pegam.» Dou de barato, a importância da natureza no processo de «fabrico artificial»: Agosto é o mês mais quente do ano. De qualquer modo, o «discurso que criou esta realidade» é tão antigo como o conceito (e o direito) de férias para quem trabalha. E tenho muitas dúvidas que alguém «fabricasse artificialmente», aqui, em Portugal, o mês de Fevereiro como o mês de férias. Mas o que mais me chamou a atenção foi quando a entrevistadora lhe perguntou: também faz férias em Agosto?». Gil respondeu: «Faço, mas não propriamente férias. A família tem Agosto como o único mês de descanso, mas eu não costumo deixar de trabalhar.» O nosso pensador não conseguiu vencer as «realidades criadas pelo discurso» e também vai de férias em Agosto. Porque a família tem Agosto como o único mês de férias. Cito José Gil: O Chico-espertismo é uma característica de Portugal.

 

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publicado às 14:35

||| A árvore e a floresta.

por Tomás Vasques, em 10.08.09

Estou de acordo, no essencial, com o que aqui escreveu Bruno Sena Martins sobre o fim de uma certa blogosfera. Mas, penso, ainda não acabou, trata-se de uma situação temporária. Corresponde a um momento de «embate político», em que, quer de um lado, quer de outro, se formam «exércitos» em defesa das suas damas e, em consequência, se amaciam divergências e criticas. Após o «embate» de 27 de Setembro, independentemente dos resultados, a tendência será para retirar o creme das divergências e criticas e tudo (ou quase) se estilhaçar de novo. Com uma diferença em relação aos últimos 4 anos: a instabilidade política resultante de um governo de maioria relativa vai enriquecer o debate e as diferenças. Não tomemos a árvore (que tapa a visão dos próximos dois meses) pela floresta.

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publicado às 10:40

|||Portugal dos pequeninos.

por Tomás Vasques, em 09.08.09

Há gente que não se enxerga, nem merece ser elegível. Os «aparelhos» partidários, em regra, vivem para a feitura de listas. Alimentam-se da intriga, do «golpe palaciano», do mais mesquinho e pobre que a política tem. É toda uma cultura. Presidente de Junta de Freguesia?

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publicado às 17:48

||| Notícias da crise (2).

por Tomás Vasques, em 07.08.09

Cuba puede quedarse sin papel higiénico antes de final de año.

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publicado às 23:34




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