Portugal está a ferro e fogo, debaixo da artilharia pesada de um
governo que, representando os interesses dos grandes empresários e dos banqueiros,
quer fazer um ajuste de contas com o «modelo socialista». É neste contexto que João
Proença assinou, ontem, em nome da UGT, um documento denominado de «concertação
social» (o qual não concertou nada,
apenas desconcertou), enquanto a CGTP, que há quase 40 anos joga no quanto
pior, melhor, voltou a lavar as mãos, como se não tivesse ajudado Passos Coelho
a ganhar as últimas eleições. O dirigente da UGT, hoje, declarou que tinha sido
«incentivado» pela CGTP a assinar o dito «acordo», uma desculpa inenarrável,
mesmo que seja verdade. Carvalho da Silva, em nome da CGTP, «pondera» apresentar
uma queixa-crime contra a UGT. Entretanto, uns quantos deputados do PS e do BE
entregaram, hoje, no Tribunal Constitucional um pedido de fiscalização
sucessiva do Orçamento do Estado para 2012. Carlos Zorrinho, afirmou que a
direcção da bancada socialista se demarca totalmente desta iniciativa, evocando
a prevalência da fiscalização política do Orçamento em desfavor da fiscalização
judicial. Por sua vez, o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares,
anunciou hoje que os deputados comunistas não vão subscrever o pedido de
fiscalização da constitucionalidade do Orçamento do Estado apresentado por
socialistas e bloquistas. Confuso? Não, apenas difuso! Afinal de contas, Passos
Coelho é um sortudo: tem como oposição um PCP domesticado, um BE desorientado e
um PS colaborante, e sobretudo que se odeiam todos uns aos outros. Passos
Coelho tem todas as condições para fazer uma revisão constitucional à húngara. E
os portugueses que se fodam – os mais sensíveis que me desculpem a expressão.
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