Os Pides morrem na rua. Há muitos anos que não me lembrava desta frase-palavra de ordem saída da boca da maralha que ocupou o centro de Lisboa, do Rossio ao Chiado, do Martim Moniz ao Terreiro do Paço, a partir da manhã de 25 de Abril de 1974. Na boca de um povo pacífico, que ornamentou os canos das espingardas com cravos, a frase a pedir o linchamento dos «pides» significava, sobretudo, a profunda e sentida aversão à polícia política do regime deposto e aos seus «métodos de actuação». Estava ainda, por esses dias, fresca a memória dos tempos da Direita autoritária, fascista; os tempos de repressão e de prisões por delito de opinião, de torturas e assassinatos; os tempos da polícia política – a PIDE. Esta, entre outros métodos, procurava infiltrar agentes seus (ou bufos), disfarçados de «oposicionistas», no interior de organizações anti-fascistas. Era um dos modos de conhecer o que aí se fazia, o que aí se dizia, e os documentos políticos que por aí circulavam. Quando obtinham a informação, iam entregá-la à rua António Maria Cardoso, e desapareciam. Ficavam de novo disponíveis para dar vivas a Salazar. Esta era gente execrável. Energúmenos sem migalha de carácter. Vómitos produzidos por uma sub-cultura política. Hoje, estão a ser recuperados muitos destes métodos antigos mercê do aparecimento de muitos destes energúmenos que encontram albergue em jornais e nalguns círculos de uma Direita revanchista, caceteira. Podia dizer que me lembrei da frase os Pides morrem na rua a propósito de uma peça no Correio da Manhã, de hoje, que envolve o Simplex, blogue em que colaborei. Mas não foi só por isso.
Adenda: sobre o mesmo assunto:
Escândalo: o governo faz política, por Pedro Adão e Silva, no Léxico Familiar.
A Central, por Eduardo Pitta, no Da Literatura.
A ética do bufo, por Rogério da Costa Pereira, no Jugular.
Do 37º e 38º, por André Couto, no Delito de Opinião.
Os ratos, por Tiago Barbosa Ribeiro, no Metapolítica.
Dos métodos totalitários de propaganda, por Sofia Loureiro dos Santos, no Defender o Quadrado.
A espuma dos dias, por Vasco M. Barreto, no Aparelho de Estado.
Da ética, por Luís Novaes Tito, no A barbearia do senhor Luís
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