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Nunca digas desta água não beberei.

por Tomás Vasques, em 26.01.10

 

 

O Orçamento de Estado está alinhavado, com a bênção da «direita» (para a extrema-esquerda a «direita» existe quando vota com o PS e deixa de existir quando vota com o PCP e o BE, como no caso da suspensão da entrada em vigor do Código Contributivo), apesar de muitos jornalistas aguardarem ainda, a pé firme, há várias horas, a chegada da pen à Assembleia da República. Amanhã, ainda se discutirá a Lei das Finanças Regionais, mas o actual Presidente da República e o PSD não vão esticar a corda porque, já se percebeu, não querem eleições antecipadas na Primavera de 2010. A partir da aprovação do Orçamento, o governo vai, com alguma tranquilidade, procurar manter-nos com a cabeça fora de água. Em Março e Abril, os jornalistas, que neste momento estão à espera da entrega da pen, vão andar num rodopio atrás do PSD, do congresso proposto por Santana Lopes, das directas, de Passos Coelho, de Aguiar-Branco e companhia, de quem apoia quem. Não vão ter tempo para ler estatísticas ou acompanhar a evolução do desemprego. Em Maio, a missa celebrada no Terreiro do Paço por Sua Santidade o Papa, bem como a sua chegada, a sua partida e os passos entretanto dados, ocupará a abertura dos telejornais e as primeiras páginas dos jornais. Em Junho e Julho, o mundial de futebol será o tema inevitavelmente dominante e até a ida à casa de banho de Cristiano Ronaldo será acompanhada por todos os canais de televisão e pelos jornalistas da imprensa escrita. Após tanta emoção, o «pessoal» – os eleitores – vai a banhos. Vai descansar para o Algarve, para a República Dominicana, para onde lhes der na gana. Estão no seu direito: trabalham e têm direito a férias. A seguir, a partir de finais de Agosto, entram em cena as eleições presidenciais, o que significa que, após a aprovação do Orçamento, as presidenciais são o facto político mais relevante deste ano e com maiores consequências no futuro deste governo. Há quem pense que o PS, após a apresentação da candidatura de Manuel Alegre, está tolhido, não tem margem de manobra nas eleições presidenciais. Não é verdade. Isso é o que o BE pretende fazer passar. Neste momento, está na mão do PS reduzir Manuel Alegre a candidato do BE ou dar-lhe a mão e retirá-lo dessa situação redutora em que voluntariamente se colocou. Manuel Alegre está, agora, obrigado a dar garantias ao PS para receber o seu apoio. Se o apoio do PS aparecer sem qualquer garantia, Cavaco Silva está eleito.

 

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publicado às 21:58




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