As «escutas» (já me dizia a minha mãe «não escutes que é feio») estão no centro da fragilização da democracia que temos (depois das «escutas a Belém», vieram as «escutas a S. Bento», umas fictícias, outras reais). Associem o poder de todos sermos «escutados» a todo o momento, numa voragem sem limites, com esta notícia, à qual cheguei pelo Francisco: «Cada veículo será equipado com um aparelho munido de um GPS (sistema de localização por satélite) que vai contabilizar quantos quilómetros, quando e onde foram feitos. Estes dados serão enviados para uma agência de cobrança que vai fazer a factura.» Agora, adivinhem a sociedade, os direitos liberdades e garantias dos cidadãos e a «democracia» do futuro. Andamos todos a brincar com o fogo e ninguém se indigna, antes pelo contrário: queremos mais escutas (até exigimos ouvir as conversas escutadas), mais controlo sobre os cidadãos, mais policiamento. Tudo em nome da segurança do «Estado e dos cidadãos», da luta contra a corrupção, da luta contra a evasão fiscal, de uma qualquer luta contra qualquer coisa que não sabemos bem o que é. O Estado totalitário está a caminho. O Gulag será a tua própria casa.
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