Dizia-se por aí que o Benfica ia «desaparecer» depois do Natal. O sumo de laranja que Jesus dá aos jogadores – o segredo das goleadas – tem efeitos secundários. Ainda estamos longe do Natal e os efeitos já são visíveis.
A V Internacional está a caminho pela mão de Hugo Chávez. A I foi fundada por Karl Marx; a II caiu nas mãos de marxistas reformistas e sociais-democratas; a III foi fundada por Lenine; a IV por Trotsky. Agora, o antigo coronel Hugo Chávez vai fundar uma nova Internacional, a V. Vai ser interessante seguir a posição do PCP e do BE em relação a este movimento internacionalista lançado pelo presidente venezuelano. Sobretudo do BE: é que a IV Internacional ainda mexe.
Excerto de Resolvido O Caso do Microfone Direccionado, por Ferreira Fernandes, DN, 22.11.09:
Voltando ao meu processo. A 5 de Novembro, havia gravações de Vara a pedir dez mil euros. Hoje, sabe-se que nunca houve gravações. A minha sentença: há investigadores e/ou jornalistas mentirosos no Caso das Falsas Gravações de Vara dos Dez Mil Euros. São curtas as conclusões do meu processo, mas têm o mérito de se basearem em factos.
A agonia de um partido, por Vasco Pulido Valente, Público, 22.11.09:
Enquanto o país brama contra a justiça e a corrupção (os jornais de ontem só quase falavam disso), no centro do regime, o PSD apodrece. A derrota eleitoral e a permanência de Ferreira Leite não contribuíram, como era de prever, para uma transição regular e ordeira. Pelo contrário. A intriga ferve por toda a parte: nas distritais, no Parlamento, na direcção. Personagens completamente desconhecidas vieram à superfície na sopa turva de uma guerra civil interminável, enquanto diariamente se fazem e desfazem alianças sem programa, nem propósito e no Instituto Sá Carneiro (pobre Sá Carneiro) algumas criaturas de outro mundo se preparam para descobrir o qual é afinal a verdadeira "identidade" do partido. Não se consegue imaginar uma situação mais catastrófica.
Pior ainda, além das grandes divisões do passado (entre a "social-democracia" da elite e o populismo das "bases", por exemplo), apareceram agora novas divisões. Primeiro, a divisão entre a tendência para a "estabilidade" e um temporário compromisso com o PS, isto é, para o "bloco central" e a tendência para uma oposição de princípio, que paralise rapidamente o Governo e o torne inviável. Segundo, a divisão entre os que preferem dar prioridade à política económica de Sócrates (se, de facto, ela existe) e os que preferem um ataque sistemático à corrupção, supondo talvez que o PSD não será afectado. E, terceiro, a divisão entre os que se propõem ressuscitar as "regiões" (com PS, claro) e os que sensatamente têm medo de consumar o caos. No meio desta miséria, há também quem recomende, sem se rir, o misterioso exercício de "federar ideias".
O único candidato declarado a encabeçar a loucura vigente é Pedro Passos Coelho, um homem bem intencionado e hábil, mas manifestamente imaturo. Marcelo continua a pairar, esperando o que por aí se chama uma "vaga de fundo" ou simplesmente sem estômago para o que se exigiria dele. E Aguiar-Branco, apesar da ambição que lhe suspeitam, não passa, em teoria, de um putativo candidato. No fundo, o PSD anda à procura de um chefe e não encontra nenhum. E, não encontrando nenhum, acabará fatalmente com um chefe de acaso e de recurso, que presidirá, inerme, à sua desintegração final. A República, como incessantemente se repete, depende dos partidos. Com o PSD, já não pode contar.
Foi-se embora um homem bom. Cedo, muito cedo.
Uma certa direita está muito traumatizada. Motivo: os portugueses votam maioritariamente nos socialistas. «Há 14 anos que estão no poder» – dizem desesperados. Um homem de letras com pergaminhos firmados, Vasco Graça Moura, não é de meias tintas e diz, como quem escreve um poema: só os atrasados mentais votam nos socialistas e, de seguida, manda o pessoal assoar-se ao guardanapo. Dizem as línguas viperinas que tais desmandos se devem apenas a dores de cotovelo: Vasco Graça Moura ambicionava ocupar o cargo da senhora Canavilhas. Eu não acredito numa dor de cotovelo assim tão forte. Ele não é desses vaidosos e ambiciosos que por aí pululam. Aliás, estou convencido que Vasco Graça Moura foi para deputado europeu com o mesmo espírito de abnegação de qualquer soldado mobilizado para o Afeganistão. Uns trocos no vencimento não fazem a diferença. Agora (qualquer tema serve), apareceram por aí outras vozes – da direita, naturalmente – empolgadas contra a nomeação dos governadores civis. «O povo não o elege? Obviamente, nomeie-se» – dizem. E talvez com razão. Eles lembram-se daquele tempo de felicidade absoluta, em que Portugal era um paraíso, quando Cavaco Silva e Durão Barroso, enquanto primeiros-ministros, convocaram eleições para eleger os governadores civis. Foi, então, uma grande festa da democracia. Apesar disso, ainda há línguas maldosas que dizem que os governadores civis nessa altura foram escolhidos por Dias Loureiro, o antigo Conselheiro de Estado. Calúnias, suponho. E como estes dois exemplos, há milhares deles a «justificarem» o traumatismo craniano da direita portuguesa.
Dia 26 deste mês, em Faro, realiza-se um debate sobre o tema a Tuta absoluta ataca os tomateiros. Às 10 horas, uma engenheira da Direcção Regional de Agricultura e Pescas falará sobre «os meios de luta à Tuta absoluta».
Rodrigo Moita de Deus esqueceu-se de acrescentar o valor de um jantar com o líder do grupo parlamentar do PSD.
As «escutas» já chegaram ao Luís Figo em manchete no Correio da Manhã. O ambiente está propício às mais desbragadas aventuras noticiosas, ao boato sob a forma de «notícia». A bagunça vai tão alta que Vasco Pulido Valente, no Público de hoje, já escreve que «não é legítimo, nem recomendável arriscar nessa querela (tentar remover Sócrates de cena) a própria integridade do regime.» Acompanha-o José Pacheco Pereira, ontem na Sábado: «ou se penaliza os jornalistas e o jornal por essa violação (do segredo de justiça) ou qualquer protesto é vão.» Em Portugal, uma parte da oposição ao Governo, ao PS e a José Sócrates abandonou definitivamente o território da política, onde se sente pouco à vontade porque deixaram de pensar. Age como o Hammas: atiram bombas para cima da população indefesa. Mas com uma diferença significativa: aqui, atiram as bombas de longe cientes da impunidade que a lei e a Justiça lhes oferece; lá, na Palestina, quem transporta a bomba também morre.
Uma mão de Thierry Henry colocou escandalosamente a França no Mundial de futebol; Carlos Queiroz não pode voltar ao jornal de sexta-feira, na TVI, onde Manuela Moura Guedes o tratou como um mentecapto; há um papagaio de nome Santos a debitar patetices sobre futebol na SICN; avisem o Mário Nogueira que não deve convocar manifestações de professores em Junho e Julho do próximo ano; a Eslovénia – aquela pequena República Jugoslava – afundou a Rússia de Putin e companhia; a unidade nacional na Bósnia-Herzegovina ficou por um fio; a Africa do Sul segue dentro de momentos. Só mais um pormenor: 14 galerias de arte de Barcelona juntaram-se numa mostra simultânea de arte contemporânea sobre futebol.
Fez anteontem 60 anos que morreu António Aleixo, o mais conhecido poeta popular algarvio. Homem pobre, nobre e de uma grande sabedoria. Aqui ficam 5 quadras em sua memória.
Tu, que tanto prometeste
Enquanto nada podias,
Hoje que podes – esqueceste
Tudo quanto prometias…
Os que bons conselhos dão
Às vezes fazem-me rir,
- Por ver que eles próprios são
Incapazes de os seguir.
P'ra a mentira ser segura
e atingir profundidade,
tem de trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.
Que importa perder a vida
em luta contra a traição,
se a razão, mesmo vencida
não deixa de ser Razão.
Embora os meus olhos sejam
os mais pequenos do Mundo,
o que importa é que eles vejam
o que os homens são no fundo.
Consta que o post-it resultou de uma cola falhada. No entanto, não deixou de ser um sucesso comercial numa outra aplicação. Dizem os jornais que vai aparecer no mercado, em 2011, um novo post-it: um Viagra para mulheres. Os responsáveis farmacêuticos garantem que o «fármaco começou por ser um anti-depressivo falhado, mas consegue aumentar o desejo sexual das mulheres.» Confirma-se a Lei de Lavoisier. «Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.» Espero que o novo Viagra resulte como o post-it resultou porque a vida sem post-it deve ser uma grande seca.
Há meia dúzia de dia estava sentado numa esplanada, na Praça das Flores, entre amigos, quando o empregado depositou na mesa uma torrada. Eu disse-lhe: «aqui ninguém pediu uma torrada». Nesse preciso momento, ouvi uma voz (de um conhecido militante do BE, sentado na mesa atrás de mim e que tinha pedido a torrada): «Os socialistas querem ficar com tudo».
A 9ª edição da ARTE LISBOA, a Feira de Arte Contemporânea portuguesa, realiza-se entre os dias 18 e 23 de Novembro, no Pavilhão 4 do recinto da FIL, no Parque das Nações, em Lisboa.
António Simões do Paço (1957), historiador e autor da biografia de Salazar, é o autor de Francisco Louçã, Biografia (Bertrand Editora, 2009). A obra agora editada é uma biografia de Louçã e, ao mesmo tempo, a história do trotskismo em Portugal. Nem podia ser de outra maneira: o biografado carrega aos ombros a história do trotskismo nos últimos 40 anos – uma história com algum sucesso, ao contrário de outros derivados do movimento comunista internacional.
No que se refere às notas pessoais (era dispensável a transcrição das duas redacções, uma delas sobre os elefantes, escritas aos 9 anos) Francisco Louçã é apresentado como um homem inteligente, estudioso, disciplinado, trabalhador (até carregou uma dúzia de tijolos para a construção de uma capela na adolescência, conferindo-lhe um estatuto «proletário), ligado à Igreja, apesar de não ser católico, o que lhe valeu um dia de prisão, aos 16 anos, na sequência da vigília pela Paz na Capela do Rato, em Dezembro 1972. Viajou na década de 80 pela América Latina (enquanto responsável da IV Internacional naquele continente), onde aprendeu muito, politicamente falando, gosta de comer bem, sabe fazer um delicioso bacalhau espiritual e fez crítica de cinema, numa parceria com Paulo Portas. Bem espremido, muito pouco, a não ser a exagerada vaidade do «bom aluno». Transcrevo: «Era muito racional e metódico, não faltava a uma aula, chegava sempre a horas, lia imenso, apontava tudo, elaborava fichas… Fazia sempre o que era preciso fazer e nunca se alterava» – dizem, em seu abono os colegas de Liceu (ou em desabono, segundo outros: chegaram a oferecer-lhe 20 escudos se dissesse «merda» em voz alta e ele recusou). Não há uma traquinice, uma namorada, um palavrão. Apenas se exaltam, neste período liceal, as amizades com os padres, seus professores, e que «o melhor da classe é do contra»..
O resto – que é quase toda a biografia –, desde o Liceu até hoje, é a fusão da vida do dirigente do BE com a história do trotskismo, a tendência mais «desamparada» do movimento comunista internacional. Na década de 60, a invasão da Checoslováquia pelos soviéticos, a guerra do Vietname (e, também, a «nossa» guerra colonial) e a cisão provocada no movimento comunista internacional pelo partido comunista chinês, fertilizou o terreno onde se desenvolveram grandes discussões ideológicas sobre o «futuro do socialismo» que se traduziram na proliferação de «grupos» e «grupitos» das mais variadas matizes ideológicas. Pelas amizades e pelas leituras, Francisco Louçã acabou por se ligar à fundação, em 1973, da LCI, a secção portuguesa da Internacional trotskista, ascendendo à Direcção em princípios de 1974. Depois do 25 de Abril e até Novembro de 1975, Louçã e a LCI trabalharam objectivamente (em nome do «poder popular») para ajudar o PCP a tomar o poder. Aderem à FUP, uma frente controlada pelo PCP, que apoia o «poder popular» e o V Governo, chefiado por Vasco Gonçalves. O empenho foi tanto que, mais tarde, a LCI «reconhece» que tinha «uma concepção incorrecta e extremamente perigosa sobre a social-democracia, identificando-a como irmã gémea do fascismo.»
(Continua)
O dossier «avaliação dos professores» ainda vai dar muito pano para mangas. O PSD apresentou no Parlamento um projecto que propõe novas regras na avaliação dos professores, as quais substituirão o actual modelo 30 dias após a sua aprovação. Mário Nogueira veio de imediato «exigir a suspensão» da avaliação e ameaçou com «novas lutas». O PSD, pela voz do deputado Pedro Duarte, vem tentar tapar o sol com uma peneira: «Em carta a um movimento de docentes, o deputado Pedro Duarte garante que o partido defende a suspensão dos procedimentos relativos ao 2º ciclo de avaliação e a sua substituição por um outro modelo.» Mesmo o mais distraído sabe que a «suspensão» significa o retorno à situação anterior ao modelo em vigor e que a «substituição» por novas regras significa a revogação do modelo em vigor. Mário Nogueira exigiu a «suspensão» e o PSD diz que a substituição é uma suspensão. Ainda sou do tempo em que não era um qualquer Mário Nogueira que mandava no PSD.
Faz hoje 50 anos que morreu Heitor Villa-Lobos (1887-1959), o grande compositor brasileiro. A propósito lembrei-me de um episódio, passado em Março ou Abril de 1947, contado por Jorge Amado, em Navegação de Cabotagem, num encontro entre os dois:
«Villa puxou uma baforada do charuto e me informou:
- Acabo de ser convidado para reger minhas obras numa série de concertos em Moscovo.
Eu sabia, havia lido a notícia nos jornais, felicitei-o, dei testemunho da popularidade de suas composições na URSS (…) Villas puxou mais fumaça do charuto:
- Você sabe quem assina o convite?
Isso eu não sabia, perguntei se teria sido o Director da Orquestra Sinfónica de Moscovo, quem?
- Bote sinfónica nisso veja se adivinha.
- Chostakovitch? Aventurei impando de orgulho patriótico.
-Quem assinou foi Lenine, do próprio punho.
Diante do meu espanto, estávamos em 1947, o grande Villas:
- Está duvidando? Trago o convite para você ver.»
O presidente do Sporting afirmou no sábado à noite que o novo treinador ia ser uma surpresa. E cumpriu a promessa: a escolha de Carlos Carvalhal é uma surpresa. E das grandes. Tem uma larga experiência (treinou dez equipas nos últimos dez anos, uma por época) e a total confiança da Direcção do Sporting (realizaram um contrato por 6 meses). Se não perder com o Benfica, na próxima jornada, provavelmente, aguenta-se até ao fim da época.
Não lembra a ninguém, nem ao pai Natal, pagar com um cartão de crédito de uma empresa pública (ou de duas) um jantar de despedida de gestores públicos à Secretária de Estado dos Transportes, como se não estivesse ao alcance daquelas bolsas pagar 30 ou 40 euros por cabeça.
O diário i recebeu o prémio de jornal europeu do ano atribuído pelo European Newspaper Award. É uma boa notícia, a compensar a iniciativa de lançar um novo diário, em Portugal, num momento de encruzilhada e incerteza sobre o futuro da imprensa escrita.
As «escutas» (já me dizia a minha mãe «não escutes que é feio») estão no centro da fragilização da democracia que temos (depois das «escutas a Belém», vieram as «escutas a S. Bento», umas fictícias, outras reais). Associem o poder de todos sermos «escutados» a todo o momento, numa voragem sem limites, com esta notícia, à qual cheguei pelo Francisco: «Cada veículo será equipado com um aparelho munido de um GPS (sistema de localização por satélite) que vai contabilizar quantos quilómetros, quando e onde foram feitos. Estes dados serão enviados para uma agência de cobrança que vai fazer a factura.» Agora, adivinhem a sociedade, os direitos liberdades e garantias dos cidadãos e a «democracia» do futuro. Andamos todos a brincar com o fogo e ninguém se indigna, antes pelo contrário: queremos mais escutas (até exigimos ouvir as conversas escutadas), mais controlo sobre os cidadãos, mais policiamento. Tudo em nome da segurança do «Estado e dos cidadãos», da luta contra a corrupção, da luta contra a evasão fiscal, de uma qualquer luta contra qualquer coisa que não sabemos bem o que é. O Estado totalitário está a caminho. O Gulag será a tua própria casa.
É didáctico divulgar a posição dos comunistas (e as suas análises) sobre a queda do muro de Berlim. Em textos anteriores citei a obra O Socialismo Traído, de Roger Keeran e Thomas Kenny (Edições Avante). Hoje cito o Avante, Órgão Central do PCP. Como podem constatar, o naco de prosa tem o recorte literário e a lucidez do 18 de Brumário de Luís Bonaparte, onde Marx desenvolve as suas teses sobre o materialismo histórico. Coitado do Marx, a que mãos foi parar:
«Não é inocente que passados 20 anos o capital se mostre tão agressivo e se lance numa intensa campanha sobre a «queda do muro». Particularmente a burguesia alemã que ao longo da História tem recorrido sistematicamente ao militarismo, ao assassínio de democratas e revolucionários, ao trabalho escravo, inventou a industrialização da morte e o extermínio em massa nas câmaras de gás, pretende agora apresentar os acontecimentos de 1989-1990 que conduziram ao fim do socialismo e da República Democrática Alemã como um processo «revolucionário» ou «libertador» e aproveitar a ocasião para representar a farsa do seu «amor à democracia». (…) Afinal o «Estado de Direito» dos banqueiros não pode existir sem o saque dos cofres do Estado e as baionetas da NATO. Se, hoje, as ditaduras torcionárias de Salazar, de Franco e dos coronéis gregos ainda existissem teriam certamente enviado os seus emissários a Berlim e num acesso de histeria reaccionária celebrado com Ângela Merkel e os restantes representantes do capital europeu a chamada «queda do muro».
Rui Paz, Avante, 12.11.09.
Nos últimos 3 ou 4 anos, a produção teórica mais significativa de parte da direita que se auto-considera como a «direita inteligente» é a reprodução do que a polícia deixa escapar para fora de partes seleccionadas dos seus relatórios. A preguiça é um direito, mas não se queixem, nem derramem tantas lágrimas.
Antoine Gallimard, responsável da editora Gallimard, publica amanhã no Le Monde uma carta de apoio ao escritor António Tabucchi a braços com um processo judicial movido pelo presidente do Senado italiano, o berlusconiano Renato Schifani.
Escreve Gallimard em defesa de Tabucchi:
«As democracias necessitam de individuos livres, valentes, indisciplinados, criativos. Que se atrevam, que provoquem, que molestem. A libertade de expressão é indissociável da ideia de democracia. De Voltaire e Hugo a Camus e Sartre, passando por Zola y Mauriac, a Franca e as suas liberdades sabem o que devem ao livre exercício do direito de opinião e ao dever de alertar contra a opacidade, as mentiras e as imposturas do poder.»
A Porta dos Infernos (Porto Editora), de Laurent Gaudé, Prémio Concourt 2004, foi apresentada hoje, com a presença do autor, por José Mário Silva, no Instituto Franco-Português.
Manuela Ferreira Leite parece a minha prima Hermenegilda. Umas vezes, quando lhe convém, não se imiscui nas questões da Justiça; outras vezes, quando lhe convém, imiscui-se nas questões da Justiça. É uma loja de conveniência.
Quem é que disse que Manuela Ferreira Leite não é a próxima candidata à presidência do PSD?
Outra nota pessoal: um companheiro dessa luta leu a nota anterior sobre a minha (a nossa) primeira greve. Há memórias que nos acompanham sempre. O esquecimento é o pior que nos pode acontecer. Às pessoas e aos povos.
A minha prima Hermenegilda, aquela que me telefona para me atazanar quando estou a assistir a jogos de futebol, é uma mulher de grandes convicções democráticas. Num almoço, há meia dúzia de anos, dizia-me que a luta contra o terrorismo é o argumento utilizado para reduzir os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. «Um atentado à democracia» – disse-me. Hoje, telefonou-me para me dizer que os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos devem ceder face ao flagelo da corrupção. Ainda lhe disse, antes que me desligasse o telefone: mas, naquela história do terrorismo, tinhas opinião diferente. «Lá estás tu a defender os corruptos» – respondeu-me sem hesitações. E desligou. Tinha mais que fazer. Provavelmente, estava no cabeleireiro.
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