Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
Viva a República!

O governo
vai acabar com os feriados do 5 de Outubro e do 1º de Dezembro. Aqui para nós,
que ninguém nos ouve, cada uma daquelas datas são referências simbólicas que
não dizem nada a ninguém, como nada diz a ninguém o feriado da nossa senhora
não sei quantos a 15 de Agosto. São feriados, ponto. A 1 de Dezembro juntam-se
uns caquécticos na Praça dos Restauradores e depois seguem para o Palácio da
Independência, ali nas imediações, a gritar vivas a D. João e à Casa de Bragança.
No 5 de Outubro, os Paços do Concelho de Lisboa recebem uma «cerimónia» para
convidados, onde o presidente da República discursa.  Estas duas datas são muito bem «comemoradas» pelos
portugueses sobretudo quando acertam em segundas ou sextas-feiras. Roubam-nos 2
feriados, dois dias de descanso. Não nos roubam mais nada.

Espero
que este ano, no dia 5 de Outubro, mesmo sem ser feriado, uma imensa multidão
se concentre na estátua de António José de Almeida (alguém sabe quem é?) e se
grite Vivas à República. Isso vale mais do que um feriado.



Por Tomás Vasques às 22:12
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Sábado, 21 de Janeiro de 2012
Os «indignados» do Bloco.

A 12 de Março do ano passado, governava então o PS, e o PEV IV tinha acabado de sair do forno, a
«geração à rasca», os «indignados» ou que lhe queiram chamar, conseguiram encheram a Avenida da Liberdade, numa das maiores manifestações desde o 1º de Maio de 74. Escrevi, então, que aí se tinham entrecruzado, avenida abaixo, todas as gerações e todos os descontentamentos. No dia 15 de Outubro, os mesmos protagonistas convocaram nova manifestação. Apesar de mais reduzida na
participação, manteve ainda alguns traços que caracterizaram a primeira convocação. E, nesse dia, escrevi: este «movimento» corre o risco de se
afunilar, perdendo a diversidade que lhe deu força. Quanto mais peso o BE (e afins) tiver nas «palavras de ordem», menos mobilização haverá no futuro.» A manifestação de hoje, 21 de Janeiro, convocada na linha das anteriores, foi um fiasco colossal. Poucas centenas de gatos-pingados estão agora a botar palavra, reunidos em «assembleia popular» em frente ao Palácio de São Bento. Estão em família. Conhecem-se todos e repetem, ali, o que dizem, todos os dias, nas reuniões internas do Bloco. E, apesar de não representarem ninguém, estão muito contentes. O «movimento» da geração à rasca, indignados ou que lhes queiram chamar morreu às mãos da extrema-esquerda. Paz à sua alma!



Por Tomás Vasques às 17:57
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
Ditaduras tropicais.

Morreu num hospital de Santiago de Cuba, após 50 dias em greve de fome, o preso político cubano
Wilmar Villar, de 31 anos. Só um regime e um governo de canalhas deixa morrer,
desta forma, um opositor político. Aguarda-se, no próximo Avante, a habitual lenga-lenga sobre as campanhas do «imperialismo
norte-americano» contra Cuba a propósito da morte de um «delinquente».



Por Tomás Vasques às 14:13
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012
Os deuses devem estar loucos...

 

 

Portugal está a ferro e fogo, debaixo da artilharia pesada de um
governo que, representando os interesses dos grandes empresários e dos banqueiros,
quer fazer um ajuste de contas com o «modelo socialista». É neste contexto que João
Proença assinou, ontem, em nome da UGT, um documento denominado de «concertação
social» (o qual não concertou nada,
apenas desconcertou), enquanto a CGTP, que há quase 40 anos joga no quanto
pior, melhor, voltou a lavar as mãos, como se não tivesse ajudado Passos Coelho
a ganhar as últimas eleições. O dirigente da UGT, hoje, declarou que tinha sido
«incentivado» pela CGTP a assinar o dito «acordo», uma desculpa inenarrável,
mesmo que seja verdade. Carvalho da Silva, em nome da CGTP, «pondera» apresentar
uma queixa-crime contra a UGT. Entretanto, uns quantos deputados do PS e do BE
entregaram, hoje, no Tribunal Constitucional um pedido de fiscalização
sucessiva do Orçamento do Estado para 2012. Carlos Zorrinho, afirmou que a
direcção da bancada socialista se demarca totalmente desta iniciativa, evocando
a prevalência da fiscalização política do Orçamento em desfavor da fiscalização
judicial. Por sua vez, o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares,
anunciou hoje que os deputados comunistas não vão subscrever o pedido de
fiscalização da constitucionalidade do Orçamento do Estado apresentado por
socialistas e bloquistas. Confuso? Não, apenas difuso! Afinal de contas, Passos
Coelho é um sortudo: tem como oposição um PCP domesticado, um BE desorientado e
um PS colaborante, e sobretudo que se odeiam todos uns aos outros. Passos
Coelho tem todas as condições para fazer uma revisão constitucional à húngara. E
os portugueses que se fodam – os mais sensíveis que me desculpem a expressão.



Por Tomás Vasques às 18:56
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
Incoerências.

 As nomeações de assessores
para os gabinetes de ministros e secretários de Estado, correspondem em regra, salvo
algum caso particular, a necessidades e são escolhas pessoais, naturalmente. Não
é por aí que o gato vai às filhoses. O problema tem mais a ver com incoerência política
e falta de palavra dada: quando se está na oposição criticam-se essas
nomeações; quando se está no governo nomeia-se.



Por Tomás Vasques às 12:48
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A grande farra.

 

 

Há mais de um século que, em
momentos como o que vivemos, citamos Eça de Queiroz, quando em Os Maias,
referindo-se a Portugal, escreveu: «Isto é uma
choldra torpe. Nunca houve uma choldra assim no universo!»
Os
portugueses têm cada vez mais razões para citar, com propriedade, o nosso
grande escritor do século XIX. A trapalhada do ministro das Finanças à volta
dos encargos com as pensões da Banca no Orçamento de 2012, o que vai exigir novos
sacrifícios ainda este ano, não apagou o que se passou a semana passada com as
escolhas – uma lista de agradecimentos ao primeiro-ministro - para o Conselho de
Supervisão da EDP ou para a Administração das Águas de Portugal e, sobretudo,
com o conhecimento das remunerações a atribuir a cada um dos contemplados. É
verdadeiramente pornográfico – comentou, com razão, Marques Mendes,
ex-presidente do PSD, num assomo de distanciamento.  

Num
país massacrado por violentas medidas de austeridade, assumidamente destinadas
a empobrecer milhões de portugueses, em que não escapam as famílias de menores
recursos, desempregados e reformados, é servido em bandejas de prata, a uma
casta que gravita à volta do poder político e económico, um despudorado
banquete – uma verdadeira orgia, a lembrar a
Grande Farra, de Marco Ferreri. E pago com
dinheiro de quem, em muitos casos, não tem dinheiro para comer. E não adianta o
governo e o seu primeiro-ministro, Passos Coelho, lavar as mãos como Pilatos e
«explicar» que a EDP é uma empresa privada e que não interferiu nas escolhas
anunciadas; ou que o Partido Comunistas Chinês escolheu «caras conhecidas e que
estiveram em Macau», na versão de Eduardo Catroga, ex-ministro das Finanças de
Cavaco Silva, um dos maiores beneficiados do descomunal regabofe das
privatizações. As facturas da electricidade, que atingem todos os portugueses,
empresas e famílias, mas sobretudo os que ganham salários de miséria, com um
aumento de 4%, mais o aumento do IVA de 6% para 23%, trazem a marca dos milhões
de euros de remunerações anuais atribuídas a esta gente impúdica e voraz.

 

(ler mais aqui)



Por Tomás Vasques às 11:59
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012
Um passo à frente, dois passos atrás.

A EU abandonou a exigência da
senhora Merkel de introduzir nas Constituições de cada um dos Estados uma norma
que fixasse um limite para o deficit orçamental. A exigência alemã era um
perfeito disparate, igual a muitos outros vindos daquele lado. Primeiro, poucos
governos conseguiriam os consensos de maiorias qualificadas para alterar as
respectivas constituições, o que provocaria uma impossibilidade política de tal
exigência se concretizar. Segundo, tratava-se de uma norma imperfeita, sem
qualquer consequência ou sanção. Não estou a ver, em termos de funcionamento da
democracia, um governo cair «automaticamente» se, após a execução orçamental,
se verificasse um deficit superior ao consagrado na norma constitucional. E se caísse
«automaticamente», e fosse reeleito após novas eleições, era um governo «anticonstitucional»?
Estas tonterias à Merkel têm os seus defensores cá dentro de portas. Ainda irão
insistir nesta treta ou vão, agora, esquecer o assunto?



Por Tomás Vasques às 17:38
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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012
Os engulhos da Direita…

Toda a esquerda se encolhe quando Alberto João Jardim, de forma corajosa, está a fazer o que deve em defesa dos madeirenses.



Por Tomás Vasques às 21:23
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Prostituta é presa após morder o pénis de um cliente.

 

 

Leio os jornais: Eduardo Catroga está reformado e aufere uma pensão de reforma de cerca de 10 000 euros por mês. Leio os jornais: Eduardo
Catroga foi convidado pelos «accionistas» da EDP para um cargo qualquer, onde vai auferir a quantia de 45 000 euros por mês. Primeiro, um país em que isto acontece, já não é um país é uma choldra imunda; segundo, os milhões de portugueses que recebem o salário mínimo, e pensões de reforma miseráveis (o equivalente ao que os Catrogas deste regime entregam de gorjeta no restaurante), ou os desempregados têm o legítimo direito de pregarem fogo a este palheiro; terceiro, a luta de classes, na época em que vivemos, é de todo um povo contra
as castas que vivem, como vampiros, à custa do sangue dos outros; quarto, quando pago a factura de electricidade só me vem à memória a notícia:
prostituta é presa após morder o pénis de um cliente. Só que nesta história de
prostitutas ninguém é preso. O regime abandalhou-se a este ponto. Paz à sua alma! 



Por Tomás Vasques às 15:17
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Rotativismo.

Os problemas com que os portugueses estão confrontados são comuns, mais coisa, menos coisa, a muitos outros países da EU (Grécia, Espanha,
Itália, França, Bélgica, Hungria). Os resultados (sobretudo os deficits orçamentais e o endividamento externo elevados) corresponderam a um «ciclo de
crescimento» dirigido pela ganância do sistema financeiro – bancos, mercados, agências de rating – que estimulou o consumo e o endividamento de Estados, empresas e famílias. A usurpação do poder pela Alemanha dentro da EU e da zona
Euro e a resposta inadequada (à medida dos interesses alemães) à crise das «dívidas soberanas» fez o resto: fim da EU, tal como foi concebida, dúvidas sobre a viabilidade do Euro e, sobretudo, o empobrecimento (que ainda agora começou) de milhões de europeus, a perda de direitos que atinge milhões de trabalhadores, a degradação acelerada da protecção na Saúde e na Segurança Social, a fragilização do património democrático da Europa e por tudo o mais que por aí vem.  Perante estas circunstâncias e estas dificuldades, as respostas não são fáceis e um mar de incerteza está à nossa frente. Mas dentro de todas as incertezas, tenho duas certezas: a) a passividade é cúmplice desta espiral de degradação; b) o PS tem de romper com o discurso e a prática que alimentou o rotativismo em que o regime saído da constituição de 1975 se alimentou, sobretudo nas últimas duas décadas. Escasseia o espaço
político e eleitoral para mais do mesmo. Se o PS se mantém nas falinhas mansas à espera da «alternância democrática» e não constrói (e agora é o tempo ideal para o fazer) soluções (sem receio de ousadias políticas que reforcem a democracia e restituam a confiança no regime) que alterem a podridão em que o regime se afunda, mais cedo do que tarde, isto vai acabar mal.  



Por Tomás Vasques às 12:00
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012
Citações.

Por tudo isto, este começo de 2012 é sem dúvida uma excelente ocasião para se meditar numa sábia máxima do presidente Roosevelt: "Ser governado pelo dinheiro organizado é tão perigoso como sê-lo pelo crime organizado." E pense-se o que se pensar do tão falado gesto de Alexandre Soares dos Santos, ele dá a esta reflexão uma pertinência muito especial!

 

Manuel Maria Carrilho, no DN de hoje.



Por Tomás Vasques às 10:14
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Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012
Delito de opinião.

Otelo Saraiva de Carvalho disse, em Novembro, uma tonteria qualquer sobre uma hipotética revolta militar. Não passou de uma mera opinião. O Ministério Público, a pedido de «um grupo de cidadãos», abriu um «inquérito» às declarações do militar na reforma.
Os tempos estão difíceis mas, confesso, ver restabelecido o delito de opinião
ainda não estava nas minhas previsões.



Por Tomás Vasques às 22:29
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Interrogações de oportunidade.

Porque razão quase todos os bloguistas que apoiam o actual governo vieram à Praça defender a decisão de Alexandre Soares dos Santos?



Por Tomás Vasques às 19:01
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Pingo Doce, nunca mais!

 

 

Vai para aí um alarido de monta à volta de Soares dos Santos, accionista maioritário do Pingo Doce, por ter sediado a propriedade das suas acções na Holanda. É uma decisão de boa gestão de um grupo económico, já que a legislação comunitária o permite. Aliás,
17 empresas do PSI-20 já anteriormente tinham tomado tal decisão sem que tamanho burburinho se levantasse. A dimensão da indignação (o que revela muitas indignações submersas à espera de factos e ocasiões que as tragam à superfície)
tem a ver mais com Soares do Santos, do que com a decisão que tomou. O accionista principal do Pingo Doce passou, pelo menos, o último ano de vida do anterior governo, em repetidas aparições televisivas, a assumir uma postura política oposicionista, mais do que empresarial, pretendendo representar o «interesse nacional», exigindo sacrifícios a todos a torto e a direito, e a pedir que se metesse os madraços na ordem. Ao fugir desta maneira, revelou o seu carácter e a sua indisponibilidade para fazer os sacrifícios que os outros – os trabalhadores dependentes – têm de fazer. Perdeu a face – esta é a principal origem da justa indignação que por aí explodiu. Foi o «julgamento» de alguém que andou a assumir-se publicamente mais como político,  do que como empresário.
Como os cidadãos, em democracia, podem reagir colectiva ou isoladamente, cá por mim, Pingo Doce NUNCA MAIS|



Por Tomás Vasques às 13:56
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012
Livros.

 

 

«Quem era Luiz Pacheco? Um homem que o Portugal de hoje não merece. E, para dizer a verdade, o do tempo dele também não. O homem que diria a esta tenebrosa turba que nos governa e à mancha de mediocridade que a rodeia "Vão para a puta que os pariu!".»

Puta que os Pariu! - a Biografia de Luiz Pacheco, de João
Pedro George, editado pela Tinta da China.



Por Tomás Vasques às 23:01
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Blogues.

O Ouriço - um novo blogue a picar na blogosfera.



Por Tomás Vasques às 19:11
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A «democratização da economia»

 

 

Alexandre Soares dos Santos, o segundo homem mais rico de Portugal para a revista «Exame» e principal accionista da rede de supermercados Pingo Doce, transferiu a titularidade das acções que detém na Jerónimo Martins para uma sociedade sediada na Holanda, de modo a fugir
literalmente! – a tributação prevista no Orçamento de Estado de 2012. Ele acha que se sente «roubado» (entrevista à SICN, em
Setembro). O que dirão os trabalhadores a quem as suas empresas pagam 500 euros por mês e que não podem pagar os seus impostos nas Seychelles?



Por Tomás Vasques às 10:59
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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012
Um ano sem esperança.

No arquipélago de Samoa, no Pacífico, mudaram de fuso horário, por motivos económicos. Os seus habitantes
deitaram-se na quinta-feira e acordaram a um sábado. Era mesmo o que nos dava jeito, a nós, portugueses: deitarmo-nos na noite de

31 de Dezembro de 2011 e acordarmos a 1 de Janeiro de 2013. Os de Samoa fizeram desaparecer um dia no
calendário. Nós precisávamos que desaparecesse um ano, pelo menos. Também por razões económicas. Mas, sabemos que estas magias de fusos horários nunca nos bafejam. Só acontecem em sítios distantes, no outro lado do mundo. E, assim sendo, temos de suportar estoicamente este ano de 2012, como se fossemos enteados de um Deus menor. E tudo isto porque, dizem-nos alguns com olhos doces,passámos décadas a viver «acima das nossas possibilidades» e, por isso, agora, «não há dinheiro». E, em consequência, só o empobrecimento e a miséria serão
redentores - nos abrirão as portas do paraíso. Neste novo ano, de marmita na mão com o almoço, vamos todos dizer em uníssono, de mãos dadas, como naquelas igrejas de fanáticos religiosos que esperam a redenção a troco de dádivas generosas:
«Não há dinheiro»! E repetimos, vezes sem conta: «Não há dinheiro»! «Não há dinheiro»! E, depois, batemos com a mão direita no peito, como quem faz o sinal da cruz, e gritamos, de preferência em histeria colectiva: «Somos todos culpados». Todos! Andámos a viver «acima das nossas possibilidades».

 

(Ler Mais...)



Por Tomás Vasques às 11:12
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Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011
Interregno.

Este blogue volta à actividade regular a partir de 2 de Janeiro. Boas Festas a todos.



Por Tomás Vasques às 08:57
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011
«Democratização da economia»?

O primeiro-ministro, Passos Coelho, afirmou hoje, na cerimónia de aniversário da Universidade de Aveiro, que o plano de reformas preconizado pelo governo vai possibilitar uma "verdadeira democratização" da economia nacional. Até este momento, de relevante, as «reformas» conhecidas têm a ver o empobrecimento de quem trabalha por conta de outrem: aumento de todos os impostos até ao limite do insuportável, diminuição de salários e de indemnizações por despedimento, aumento do horário de trabalho, quer em tempo diário, quer em desaparecimento de feriados, sem qualquer compensação, e por aí fora – tudo debaixo do manto diáfano do acordo com os credores da troika. Se é por este caminho, tratando quem ganha 600 ou 700 euros por mês, como gente que «vive acima das suas possibilidades», e a quem é necessário reduzir-lhes os «rendimentos», para que a «Pátria» se salve e se alcance a «democratização da economia», então, é porque chegámos ao ponto em que é preciso enterrar a «democratização» da economia.

 



Por Tomás Vasques às 23:43
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Domingo, 11 de Dezembro de 2011
Governador do Banco de Portugal não tem razão.

O deputado João Galamba, vítima da pesporrência do Governador do Banco de Portugal, durante uma audição Parlamentar, responde-lhe com a dignidade de quem sabe do que estava a falar, sem cair na tentação de lhe chamar ignorante.



Por Tomás Vasques às 20:57
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011
Os novos descamisados.

Hoje quase ninguém tem dúvidas sobre o desastre iminente do Euro e da União Europeia. Nem sequer aqueles que, no último ano meio, Cimeira após Cimeira, se congratulavam com as «decisões históricas» aí tomadas. Independentemente das decisões e dos rumos que forem tomados na próxima Cimeira de 8 e 9 de Dezembro, já desenhados no discurso da chanceler alemã, no Bundestag, onde os destinos dos povos europeus passaram a ser tratados, uma coisa é certa: mesmo que seja travada a implosão do Euro – o que ainda não é um dado adquirido –, a UE deixará de ser um espaço de solidariedade e do bem-estar social. No mínimo, durante a próxima década, a Europa será governada por Berlim; viverá em empobrecimento profundo e acelerado, com a destruição massiva de direitos, nomeadamente na área do Trabalho, na Saúde e na Educação, e com uma forte tentação para soluções governativas anti-democráticas. A Europa que conhecemos até aqui está a ser engolida pelas suas contradições e incapacidades políticas e, sobretudo, pelo poder do sistema financeiro.

 

(Ler mais )



Por Tomás Vasques às 09:08
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Sábado, 3 de Dezembro de 2011
Semear ventos, colher tempestades.

O ministro Miguel Relvas foi vaiado por metade dos congressistas presentes, em Portimão, no Congresso das Freguesias, enquanto a outra metade abandonou a sala à sua entrada para o discurso de encerramento, em sinal de protesto. Há freguesias a mais, obviamente. Mas, como disseram vários dirigentes do PSD, na altura na oposição, aquando do processo de «avaliação dos professores», nenhuma reforma se faz contra os interessados. Aliás, o corolário desta posição foi a aprovação no Parlamento, em período eleitoral, da revogação da legislação sobre a avaliação de professores. Tanta gente mudou de opinião em tão pouco tempo!



Por Tomás Vasques às 21:06
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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011
A falência do «Público» seria uma grande perda para a liberdade de informação.

Os anúncios - nem os luminosos -  já não dão para pagar facturas: segundo o relatório consolidado da Sonaecom, relativo aos primeiros nove meses do ano, o jornal "Público" registou um prejuízo de 2,7 milhões de euros e os capitais próprios negativos estão avaliados em 936 mil euros. A Administração vai baixar salários: a redução salarial - a segunda num período de dois anos - atingirá, desta vez, salários brutos acima dos 1.600 euros.



Por Tomás Vasques às 16:38
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A greve.

A greve dos trabalhadores do Estado e das empresas públicas, convocada pelas duas centrais sindicais – CGTP e UGT, na última quinta-feira e designada impropriamente como «greve geral», suscitou uma discussão interessante. Entre nós, questionou-se o mérito do protesto num momento em que «não há dinheiro» e, por isso – dizem – ainda contribui mais para o agravamento da situação; outros, afirmam com convicção, que a dita greve foi totalmente descabida por pretender o regresso a um «paradigma perdido» – o de vivermos, nas últimas duas ou três décadas, «acima das nossas possibilidades», situação a que é impossível regressar; outros, ainda, mais ameaçadores, dizem que se os portugueses se mantiverem calados e quietinhos seguiremos os passos da Irlanda, mas se insistirem em ir para a rua manifestar o seu descontentamento, então, seguiremos as pisadas da Grécia, ou seja: a recuperação económica sem protestos ou a bancarrota com protestos. Até o El País esteve atento ao assunto: Miguel Ángel Villena coordenou um debate, nas páginas do diário espanhol, para o qual lançou o mote: «A greve geral de ontem, em Portugal, abre o debate, sobre a verdadeira utilidade dos protestos contra governos que não são autónomos». Tudo isto me fez lembrar a frase de Manuela Ferreira Leite, dita há dois anos: «e até não sei, se a certa altura, não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então, venha a democracia». É exactamente aqui que reside o problema de fundo, neste tempo de incertezas e empobrecimento – a defesa da democracia, como um bem precioso.

 

(Ler mais aqui)



Por Tomás Vasques às 12:00
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Pelos blogues.

Helena Matos apanha bem os tiques de Louçã.



Por Tomás Vasques às 11:15
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Sábado, 26 de Novembro de 2011
Divagações de sábado à tarde.

Leio, enquanto espero pelo jogo Benfica-Sporting, como se estivesse em dia de reflexão eleitoral. Leio sempre, para acalmar a inquietação, enquanto espero por alguma coisa. Leio nos aeroportos à espera do avião ou nos comboios à espera da chegada ao destino; leio nas noites de insónia à espera que nasça o sol ou apenas quando espero que não aconteça nada. Leio apenas por ler. Hoje, fui à estante das «naturezas mortas» e escolhi a Frente Popular Antifascista em Portugal – Documentos da História do Movimento Operário Português (1935-1937), editado pela Assírio & Alvim, em 1976. E, a poucas horas do grande jogo, estou a ler o relatório que Dimitrov apresentou, a 2 de Agosto de 1935, no 7º Congresso da Internacional Comunista, onde defende a «unidade de todos os homens honrados» (quem conhece estes temas sabe que se trata de uma «tradução» livre) e textos do «Avante» da época. Tenho a vantagem de saber o que se passou depois: desde a ascensão do fascismo à Guerra; desde o Gulag à queda do Muro de Berlim.  Mas, no entanto, há nesta leitura muita coisa que, se apreendida, por todos, com as devidas diferenças, nos serviria para melhor enfrentar os maus dias que correm e os que estão por vir. Aqui em casa e na Europa. Ocorreu-me dar conta do que estou a ler esta tarde ao ler o José Teófilo Duarte escrever que vai deixar de escrever no Facebook, porque:

 

Ao ver um indivíduo abaixo de qualquer classificação ser eleito primeiro-ministro em Espanha, fico sem jeito. Ao ver o primeiro-ministro de Portugal agendar visitas a Angola, onde a sua empresa tem interesses, fico envergonhado. Ao ler os arrependimentos de um capitão de Abril, fico com náuseas. Ao perceber a quantidade de pulhas opinadores que se têm safado em nome da democracia, e que agora querem, do alto dos seus magníficos honorários, alterar o paradigma, fico com vontade de os esganar. A vergonha está fora de moda.

 

Isso é o que «eles» querem, José Teófilo. Perseguem-nos, como abutres. Querem remeter-nos ao silêncio. E o silêncio, agora, mais do mais do que em qualquer outro momento, é uma trágica cumplicidade. Temos de resistir.  

 

PS – Gostei do artigo de Arturo Pérez-Reverte, sobretudo quando diz de Zapatero:

 

 Ahora, cuando se va usted a hacer puñetas, deja un Estado desmantelado, indigente, y tal vez en manos de la derecha conservadora para un par de legislaturas. Con monseñor Rouco y la España negra de mantilla, peineta y agua bendita, que tanto nos había costado meter a empujones en el convento, retirando las bolitas de naftalina, radiante, mientras se frota las manos.



Por Tomás Vasques às 17:26
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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011
Greve Geral – Quem cala, consente.

 

 

No momento que atravessamos, em que quem trabalha é que sofre as graves consequências das crises em que o «sistema» se afunda, a greve geral de amanhã não pode deixar de ser o primeiro sinal de contestação às medidas de empobrecimento geral decretadas pelo Governo. A greve não vai ser geral, mas circunscrita aos trabalhadores dependentes do Estado, provocando algumas perturbações maiores por causa do sector dos transportes. O movimento sindical está acorrentado aos partidos políticos, sobretudo ao PCP, e isto reduz o seu poder de intervenção e a sua capacidade de mobilização. Mas, apesar disso, apesar de todas essas limitações, VIVA A GREVE GERAL.



Por Tomás Vasques às 20:43
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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011
Quem nos governa?

Deixemos, por agora, essa Europa, a Comunitária e a Monetária, governada pela Alemanha, e afundada nas suas insuperáveis contradições e incapacidades, a desfazer-se na teia urdida pelos «mercados» à volta das dívidas soberanas, que de Atenas, Dublin e Lisboa se alastra, aos poucos, seguindo os mesmos percursos, a Roma e Madrid e aonde mais se verá. Fixemo-nos, então, dentro de portas, onde um governo eleito há meia dúzia de meses, fazendo tudo ao contrário do que prometeu em campanha eleitoral, segue impávido e sereno, de olhos vendados, o caminho traçado por Berlim – o caminho da desgraça. De pouco vale, neste momento, lembrar os fundamentos que sustentaram, por parte de quem hoje nos governa, o derrube do anterior governo ou mostrar as fotografias do actual primeiro-ministro a vender, em Assunção, no Paraguai, o computador Magalhães a mexicanos, acção semelhante foi ridicularizada há pouco mais de um ano, pela então oposição social-democrata, quando o anterior primeiro-ministro se prestou a esse malabarismo de vendedor ambulante; ou ver Paulo Portas ir a Caracas, na Venezuela, tentar vender em saldo alguns produtos nacionais, sem ter direito a dois dedos de conversa com Hugo Chávez, acção semelhante por parte de Sócrates foi igualmente vilipendiada por quem dizia, na altura, tratar-se de uma humilhação política. Nem sequer vale a pena acrescentar, na mesma linha, a recente ida de Passos Coelho a Angola. E, não estarei longe da verdade, se disser que Paulo Portas já teria ido Tripoli, dar duas palmadinhas nas costas de Kadafi, caso este não tivesse sido barbaramente assassinado. Estes factos ilustram bem o actual estado de coisas em Portugal, mas também numa Europa que, envergonhada, esconde debaixo do tapete a sua arrogância imperialista e anda, por todo o lado, de Brasília a Pequim, de mão estendida, a mendigar uns tostões para o Fundo de Estabilização, como se não tivesse meios de se sustentar.

 

(ler mais aqui)



Por Tomás Vasques às 15:51
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011
É a vida!

Está a ficar cada vez mais claro que o adiamento, de Cimeira em Cimeira, das soluções para resolver o problema das dívidas soberanas dos países do Euro é uma estratégia concertada da Direita europeia. Chegaram à conclusão que para a Europa competir e crescer economicamente só era possível se, em cada país, se reduzisse substancialmente os custos do trabalho ( o salário,  os dias de férias, os feriados, as indemnizações por despedimento e por aí fora) e se aumentasse o horário de trabalho. E reduzir o «estado social» ao mínimo dos mínimos, sobretudo na saúde e na educação. Quando estes resultados forem obtidos, sobretudo nos países dos «pretos», Grécia, Portugal, Espanha, Itália e França, por pressão dessa grande invenção dos nossos dias – os «mercados», que na ocorrência substituem a guerra - a Europa estará em condições de concorrer com a China, a Índia, o Brasil, a Rússia ou os Estados Unidos. Nessa altura, quando todas as conquistas dos povos de uma Europa de «outros tempos» forem destruídas, os alemães decidem meter o BCE a imprimir notas. Até lá assistimos à destruição de tudo com o amem da social-democracia europeia. É a vida!



Por Tomás Vasques às 23:47
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011
A Itália a caminho.

 

La prima de riesgo italiana, el diferencial del bono a 10 años con el alemán supera los 565 puntos, muy por encima de la barrera de los 500 que desencadenó la intervención en Portugal. (El Pais)



Por Tomás Vasques às 12:07
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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011
Burlas.

É bom alertar para estes ataques aos direito do consumidor.

Obrigado Luis.



Por Tomás Vasques às 21:44
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Da Europa dos povos à Europa da Alemanha.

Na tarde de ontem, domingo, Geórgios Papandreu, líder do PASOK, partido que detém a maioria absoluta no parlamento helénico, chefiava o seu último Conselho de Ministros, segundo noticiavam as agências. Papandreu, neto do primeiro-ministro do governo grego no exílio, Geórgios, em 1944/45, quando a Grécia estava ocupada pelos exército nazi, e filho do primeiro-ministro grego, Andréas, o qual ocupou o cargo depois da ditadura dos militares, durante 11 anos, nos anos 80 e 90, não resistiu a dar um ar da sua graça, na tradição democrática que os pergaminhos familiares lhe exigiam.

A 26 de Outubro, depois da última Cimeira europeia, o ainda primeiro-ministro grego regressou a Atenas, transportando uma mala cheia de humilhações: um perdão de 50% da divida externa; um novo pacote de ajuda financeira de 130 mil milhões de euros e, como contrapartida, um novo e extenso pacote de dolorosas medidas de austeridade. Provavelmente, nos corredores, ainda foi ouvindo os sussurros de Berlusconi ou de Passos Coelho: «nós não somos a Grécia», como se a Grécia fosse uma nódoa de gordura num branco tecido de cetim e nenhum dos 17 países do Euro ou dos 27 da EU tivessem telhados de vidro.

 

(Ler mais aqui)



Por Tomás Vasques às 18:03
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Eleições na Nicarágua.

Os factos narrados por Ana Gomes, no seu blog, indiciam que os Sandinistas, no poder, montaram uma gigantesca fraude nas eleições presidenciais na Nicarágua.



Por Tomás Vasques às 11:28
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Cimeiras europeias.

 

 

Não sei bem porquê, mas ao ver este «boneco» lembrei-me da senhora Merkel a convocar o deposto primeiro-ministro grego, Papandreou, para a reunião em Cannes.



Por Tomás Vasques às 10:55
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O Pânico grego.


Por Tomás Vasques às 07:06
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Tomás Vasques
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